Tecnologia

O Impacto dos Data Brokers: Como Empresas Lucram com Seus Dados e Formas de Proteção

É bastante comum ser surpreendido por chamadas de telemarketing oferecendo serviços logo após uma mudança de endereço ou ser bombardeado por anúncios de produtos que, coincidentemente, você está precisando. Este fenômeno, que parece quase mágica, é impulsionado por empresas conhecidas como data brokers. Essas entidades especializam-se em coletar, agregar e comercializar dados de usuários, abrindo caminho para uma indústria bilionária voltada para anúncios personalizados e várias implicações práticas.

Os data brokers operam em grande parte fora do alcance do olhar público, reunindo uma quantidade surpreendente de informações pessoais sobre os usuários. A coleta de dados ocorre tanto online quanto offline, capturando toda uma gama de atividades desde a navegação na internet e interações em redes sociais até compras físicas e publicações de registros públicos. Essas informações são agregadas e vendidas em pacotes para empresas de diversas áreas, incluindo bancos, seguradoras e varejistas, todas interessadas na minúcia de detalhes que podem ser obtidos.

De maneira geral, o processo de comercialização desses dados é dividido em três categorias principais: marketing e publicidade, análise de risco/crédito e busca de pessoas. Na esfera de marketing, os dados são usados para direcionar anúncios específicos aos usuários, enquanto que, na área de crédito, ajudam entidades a avaliar perfis financeiros. Nos sites de busca de pessoas, esses dados servem para encontrar informações de contato.

A coleta de dados pelos data brokers é vasta e, muitas vezes, o usuário nem percebe que está contribuindo para isso. Informações públicas, como posts nas redes sociais, cookies de navegação, cadastros em e-commerces, além de registros em cartórios e fidelizações em lojas, são fontes comuns. De forma alarmante, muitos usuários fornecem seus dados sem ler os termos de uso dos serviços online.

Os data brokers criam perfis detalhados, ou “shadow profiles”, dos usuários, baseados em dados agregados. Esses perfis incluem informações que vão muito além de dados básicos, podendo abranger desde probabilidades de divórcio até preferências políticas. A monetização desses perfis pode ter consequências diretas, como influência nas taxas de seguro ou oportunidade de crédito.

A legalidade dessa prática é regulada, em parte, pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no Brasil, que visa proteger a integridade e segurança das informações pessoais dos usuários. No entanto, o conceito de “legítimo interesse”, que permite o uso de dados sem consentimento explícito, é muitas vezes interpretado de maneira a beneficiar essas empresas, tornando a questão do consentimento um ponto nebuloso.

Se você estiver preocupado com a inclusão de seus dados nesses sistemas, existem maneiras de reivindicar o controle. A legislação atual permite que você solicite a remoção de suas informações a partir de organizações de referência importante, como o Serasa. Além disso, algumas precauções básicas, como o uso de e-mails descartáveis e a restrição de compartilhamento de CPFs desnecessários, permitem manter sua informação privada mais segura.

Existem também serviços pagos que automatizam a exclusão de dados dos sistemas dos data brokers, como o Incogni e o DeleteMe. Apesar de não ser possível desaparecer completamente da internet na era digital, essas ações podem ajudar a minimizar sua exposição indesejada e dar-lhe um maior controle sobre os dados que efetivamente são seus.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

treze + 11 =

Botão Voltar ao topo