Política

Sinais mistos indicam possível corte de juros em janeiro

Na divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central reafirmou alguns pontos importantes sobre a situação atual da economia brasileira. A reunião ocorreu no dia 11 de outubro e manteve a taxa de juros em 15%. O documento destaca que as expectativas de inflação para prazos mais longos ainda geram preocupação, mas a atividade econômica continua a apresentar uma desaceleração moderada. Essa situação justifica a manutenção da atual taxa de juros.

Economistas analisam a ata e apontam que ainda há divergências sobre quando os cortes na taxa de juros devem começar. Rodolfo Margato, economista da XP, acredita que a ata abre espaço para uma política monetária menos restritiva em 2026. Ele projeta que um ciclo de cortes pode começar em março do próximo ano, com reduções sucessivas de 0,50 ponto percentual, reduzindo a taxa de juros para 12% ao final de 2024.

O economista destacou que o Copom prefere manter a taxa inalterada por um período mais longo, com a certeza de que o nível atual é suficiente para controlar a inflação. Isso visa evitar discussões no mercado sobre possíveis cortes de juros no curto prazo.

Além disso, a ata trouxe informações sobre a queda da atividade econômica e o impacto das recentes medidas de estímulo, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para pessoas que ganham até R$ 5 mil. Essa inclusão na análise do Copom sugere que a expectativa de crescimento econômico foi revisada para cima, levando a um aumento nas projeções de inflação esperadas.

A projeção do Copom para a inflação em 2026 permanece em 3,6%, enquanto especialistas da XP esperavam uma ligeira queda para 3,5%. A previsão do hiato do produto, que mede a diferença entre o PIB real e o potencial, também merece atenção. Margato acredita que esse hiato pode ter aumentado, afetando as estimativas de inflação.

O banco Itaú também comentou sobre a ata e concordou que a inclusão do impacto das mudanças no Imposto de Renda nas projeções ajuda a diminuir os riscos inflacionários futuros. Ela observou que essa foi uma questão central nas discussões do mercado desde a última reunião e que investidores começam a apostar em cortes de juros já em janeiro.

Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos Capital, observou que a ata confirma um tom menos rígido em relação à política monetária. Ela aponta que a desaceleração da economia e o arrefecimento da inflação são fatores positivos. Em relação à próxima reunião do Copom, ela acredita que a taxa deverá se manter inalterada por um tempo prolongado para garantir que a inflação se mantenha dentro da meta.

Tatiana ajustou sua expectativa e agora projeta o início dos cortes de juros para janeiro, em vez de dezembro, com a previsão de que a taxa Selic chegue a 10,5% até o final de 2026.

André Valério, economista sênior do Inter, ressaltou que a menção do Banco Central sobre o impacto limitado da mudança no Imposto de Renda está alinhada com as expectativas do mercado. Ele alerta, no entanto, que estímulos a curto prazo podem afetar a sensibilidade da demanda em relação à taxa de juros. A expectativa do Inter é que um corte na Selic possa ser realizado já em janeiro, dependendo dos dados econômicos apresentados até lá.

O estrategista-chefe da RB Investimento, Gustavo Cruz, destacou uma mudança significativa na comunicação do Banco Central. Ele acredita que a frase que afirma que a taxa atual é suficiente para controlar a inflação sugere a possibilidade de cortes futuros. A manutenção do parágrafo sobre ajustes na taxa de juros, no entanto, deixa em aberto a perspectiva de uma diferença com relação a possíveis cortes em dezembro.

Por fim, Daniela Lima, economista da Kinea, adota uma abordagem mais conservadora. Ela defende que, para um corte em janeiro, seria necessário um conjunto muito específico de condições. Já Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, percebe a ata como um sinal de estabilidade, mas reafirma a necessidade de manter uma política monetária restritiva por um longo período.

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