Guerra comercial entre EUA e China impacta reuniões do FMI e BM

Os líderes do setor financeiro estão reunidos em Washington esta semana para discutir a economia global. O encontro ocorre em meio a uma nova escalada nas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou aumentar as tarifas sobre as importações chinesas em até 100%, o que gerou reações negativas nos mercados financeiros.
As reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial devem focar nas tensões comerciais atuais. A promessa de Trump de retaliar ações da China relacionadas a terras raras levanta preocupações sobre uma possível intensificação da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Nos últimos cinco meses, havia uma expectativa positiva em relação às negociações comerciais, após uma trégua que havia reduzido consideravelmente as tarifas de importação. Contudo, a situação mudou drasticamente na sexta-feira, quando Trump anunciou a possibilidade de cancelar uma reunião planejada com o presidente chinês, Xi Jinping, além de sugerir um aumento significativo nas tarifas.
Em resposta, a China ajustou suas tarifas portuárias de modo a igualar as taxas aplicadas pelos EUA em navios de origem chinesa. Essa reação complicou ainda mais o clima de negociações, que já estava tenso. A reunião do FMI e do Banco Mundial deve atrair mais de 10.000 participantes, incluindo autoridades financeiras e presidentes de bancos centrais de mais de 190 países.
Martin Muehleisen, especialista em economia, comentou que as ameaças de Trump podem ser uma estratégia para pressionar as negociações. Muehleisen afirmou que, caso as tarifas de 100% sejam impostas, o impacto nos mercados financeiros pode ser severo. Na sexta-feira, a bolsa de valores dos EUA teve sua maior queda em meses, intensificando a preocupação sobre a estabilidade do mercado, já afetado pela incerteza econômica e a crescente adoção de tecnologias como a inteligência artificial.
Embora a China possua uma vantagem em relação a Trump no que diz respeito a recursos essenciais, como terras raras, Muehleisen acredita que o país também não tem interesse em retomar um cenário de tarifas altíssimas.
A agenda do secretário do Tesouro dos EUA, que liderou as negociações comerciais, permanece incerta, já que não foi confirmado se ele se reunirá com autoridades chinesas durante o evento em Washington.
Antes do agravamento das tensões, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, falava sobre a resiliência da economia global. Segundo ela, a economia tem demonstrado capacidade de suportar diversos choques, como as tarifas comerciais e a incerteza do mercado de trabalho nos EUA. Na próxima terça-feira, o FMI deve divulgar novas previsões sobre o crescimento econômico global, projetando que a taxa de crescimento do PIB em 2025 deve ser levemente inferior aos 3,3% esperados para 2024.
Georgieva ressaltou que, apesar da resiliência observada, os riscos negativos ainda são predominantes e alerta para um cenário de incerteza que exige cautela.




