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STJ altera pensão alimentícia; conheça as novas regras

Uma nova decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) alterou a forma de calcular a pensão alimentícia no Brasil. Agora, o valor deve refletir a real capacidade financeira de quem paga e as necessidades de quem recebe. Essa mudança combina aspectos econômicos e jurídicos, podendo influenciar como as obrigações alimentícias são vistas e tratadas.

A advogada Gabriela Martins, do escritório Fonseca Brasil & Serrão Advogados, observa que a decisão do STJ não é uma inovação completa, pois o Código Civil já destaca que a pensão deve considerar tanto as necessidades de quem reivindica como a possibilidade de quem deve pagar. A diferença é que agora a jurisprudência exige mais clareza e objetividade na análise da situação financeira de quem paga.

Isabela Gregório, advogada do Efcan Advogados, alerta que, embora a nova regra busque um equilíbrio, pode haver riscos de abusos por parte do alimentante. Isso é especialmente preocupante quando há tentativas de esconder bens ou rendas para não cumprir com a obrigação. Ela acrescenta que a responsabilidade de provar a capacidade financeira do devedor pode sobrecarregar a parte que recebe a pensão, tornando os processos mais demorados e complexos.

A nova orientação do STJ estabelece alguns pontos principais:

  1. Capacidade financeira comprovada: O alimentante deve apresentar provas concretas de sua condição financeira. A simples declaração de rendimentos não é mais suficiente; a falta de comprovação pode resultar em revisão ou diminuição do valor da pensão.

  2. Proteção da parte alimentada: O princípio das necessidades continua essencial e deve assegurar que o valor da pensão atenda ao padrão de vida da parte que recebe, evitando que se torne uma forma de enriquecimento sem causa ou que sobrecarregue financeiramente quem paga.

  3. Planejamento financeiro: Para quem paga, é fundamental monitorar a situação financeira e documentar informações relevantes. Já para quem recebe, é necessário estar pronto para comprovar a continuidade das necessidades.

  4. Impacto nos litígios: Os processos para revisão de pensão podem se tornar mais frequentes. Isso aumenta a complexidade e os custos dos litígios, pois agora as partes precisarão apresentar evidências financeiras mais robustas.

Apesar dessas mudanças, não é possível que o alimentante declare que não tem condições de pagar e seja automaticamente liberado dessa obrigação. Em casos onde se suspeita de ocultação de renda, o Judiciário pode determinar a investigação das finanças da pessoa, incluindo a quebra de sigilo bancário, fiscal ou societário. A advogada Isabela Gregório afirma que, embora exista o risco de manipulação de informações, isso pode ser mitigado com um processo judicial bem conduzido.

O que se observa é uma crescente especialização na determinação dos valores das pensões. Ao invés de simples cálculos baseados em percentuais de salário, agora há uma exigência por auditorias financeiras. Essa mudança é necessária em um cenário onde os rendimentos se tornaram mais voláteis, como no trabalho autônomo e em economias de serviços, o que demanda um cuidado maior das partes envolvidas.

Portanto, a decisão do STJ não visa reduzir drasticamente os valores das pensões, mas sim promover maior clareza e proporcionalidade na sua determinação. Contudo, em um contexto de desigualdade e informalidade no Brasil, isso exige que as partes, e seus advogados, adotem um planejamento financeiro mais rigoroso e uma prova documental mais robusta.

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