Terremoto no Afeganistão provoca mortes e destruição

Um terremoto de magnitude 6,3 atingiu a região de Mazar-e Sharif, no Afeganistão, na madrugada desta segunda-feira, 3 de outubro, no horário local. O tremor resultou na morte de pelo menos 20 pessoas e deixou mais de 500 feridos, segundo informações das autoridades locais.
Equipes de resgate estão trabalhando intensamente para encontrar sobreviventes entre os escombros e alcançar áreas remotas que foram afetadas pelo terremoto. O porta-voz do Ministério da Saúde, Sharfat Zaman, alertou que o número de vítimas pode aumentar à medida que as operações de resgate continuam.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o terremoto ocorreu a uma profundidade de 28 quilômetros, próximo a Mazar-e Sharif, uma cidade com cerca de 523 mil habitantes, conhecida por seus importantes santuários e locais históricos. As províncias de Balkh e Samangan foram as mais afetadas. Equipes militares de resgate chegaram à área para ajudar a retirar pessoas debaixo dos escombros, transportar os feridos e auxiliar as famílias impactedas pelo desastre.
Um dos locais afetados foi a famosa Mesquita Azul, um santuário sagrado que remonta ao século 15. O porta-voz da província de Balkh, Haji Zaid, informou que parte do templo foi destruída pelo tremor. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram alvenaria e azulejos quebrados no pátio da mesquita, embora a estrutura principal tenha se mantido em pé.
O terremoto também causou interrupções no fornecimento de energia elétrica em várias partes do país, incluindo na capital, Cabul, conforme relatado pela companhia nacional de energia.
A missão das Nações Unidas no Afeganistão anunciou por meio de uma publicação que está apoiando os esforços de resgate no local do desastre. O Afeganistão é uma região com alta atividade sísmica, onde as placas tectônicas indiana e eurasiática se encontram. Em agosto, um terremoto de magnitude 5,5 causou a morte de mais de 2.200 pessoas em assentamentos das áreas montanhosas do leste do país, provocando deslizamentos de terra e destruição em várias aldeias.
Este é o quarto grande terremoto que atingiu o Afeganistão desde que o Talibã retornou ao poder em 2021. Esse retorno foi acompanhado por uma significativa queda no financiamento internacional que sustentava grande parte das finanças do governo. No âmbito social, o Talibã implementou medidas que intensificam sua visão conservadora do islã, especialmente em relação às mulheres.
Ainda há desafios significativos para a equipe de resgate, uma vez que normas culturais adotadas pelo Talibã dificultam o atendimento a mulheres. O contato físico entre homens e mulheres que não sejam familiares é proibido, o que criou resistência entre membros da equipe médica, composta apenas por homens, em resgatar mulheres presas sob os escombros. A escassez de profissionais de saúde é outra preocupação, especialmente pela falta de médicas e socorristas femininas, um problema que se agravou após o terremoto.
Além disso, no ano passado, o Talibã vetou a matrícula de mulheres em cursos de medicina, acentuando a falta de profissionais femininas na área de saúde. Essa realidade torna ainda mais desafiadora a resposta ao recente desastre natural.




