A administração do Bundestag, o parlamento alemão, negou o acesso a três funcionários de deputados do partido AfD, citando preocupações de segurança. Entre os afetados está Ulrich Oehme, que já foi deputado de 2017 a 2021 e atualmente trabalha para um parlamentar da AfD. Oehme tentou contestar a decisão judicialmente, mas teve seu pedido negado.
O tribunal administrativo de Berlim confirmou que a recusa foi baseada em informações preocupantes sobre Oehme, que possui laços estreitos com autoridades russas. De acordo com nota do tribunal, a administração do Bundestag tinha razões claras para se preocupar com a eficiência e a segurança do parlamento devido a essas conexões.
A regra para concessão de crachás de acesso ao Bundestag estabelece que, antes da emissão, os solicitantes passam por uma verificação de confiabilidade. Este processo pode resultar na negação do acesso se houver dúvidas sobre a integridade da pessoa que o solicita. No caso de Oehme, o tribunal identificou riscos concretos devido a suas relações com cidadãos russos, particularmente aqueles que têm ligações com serviços de inteligência na Rússia.
As ligações de Oehme incluem um cidadão russo que trabalhou em atividades conjuntas e que, segundo as autoridades, tinha a intenção de penetrar as estruturas políticas da Alemanha para ameaçar o sistema democrático. Este indivíduo já está sob sanções da União Europeia. Oehme e esse russo fundaram juntos uma empresa e estavam envolvidos em atividades que levantaram suspeitas sobre suas intenções.
Além disso, Oehme manteve contato com Tatjana Moskalkowa, a defensora de direitos humanos da Rússia, também sancionada pela União Europeia. Ele buscou interceder em um caso de troca de prisioneiros, fazendo isso fora dos canais diplomáticos oficiais da Alemanha.
Diante desse panorama, o tribunal decidiu que as preocupações da administração do parlamento foram justificadas e que a recusa em conceder o crachá a Oehme se sustentava. O caso pode ser recorrido ao Tribunal Superior Administrativo de Berlim-Brandenburgo.
