Por que ações caem após resultados positivos?

As ações da CSN (CSNA3) e da CSN Mineração (CMIN3) apresentam perdas significativas nesta quinta-feira, 5 de outubro, liderando as quedas do Índice Bovespa (Ibovespa). Por volta das 11h46, a ação da CSN caiu 2,85%, sendo negociada a R$ 8,87, enquanto as ações da CSN Mineração recuaram 3,35%, atingindo R$ 5,77. Esses resultados seguem a divulgação de dados financeiros do terceiro trimestre, realizada na noite anterior.

O banco JPMorgan avaliou que ambas as empresas superaram as expectativas do mercado, mas a preocupação com o fluxo de caixa livre negativo persiste. Essa situação levou o banco a adotar uma posição neutra em relação aos resultados financeiros.

Surpreendendo as previsões de uma reação neutra, as ações da CSN mostraram desvalorização. Embora o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) tenha superado as expectativas e a empresa tenha apresentado um desempenho operacional forte, a fragilidade na geração de caixa continuou a ser um fator preocupante. O banco Bradesco BBI, que previa uma leve alta nas ações da CSN Mineração devido ao desempenho satisfatório e à promessa de dividendos, constatou que a realidade foi diferente.

O Goldman Sachs destacou que o EBITDA da CSN atingiu R$ 3,3 bilhões, superando suas projeções em 7% e o consenso do Visible Alpha em 13%. Essa performance foi impulsionada, em grande parte, pelos resultados da CSN Mineração, que registrou um EBITDA de R$ 2 bilhões, também acima das previsões do Goldman e do Visible Alpha em 23% e 35%, respectivamente. No entanto, os resultados do segmento de aço foram ruins, com números 30% abaixo da estimativa do Goldman Sachs e 25% menores do que as expectativas do consenso.

A CSN apresentou um consumo de caixa livre de R$ 1 bilhão no trimestre, uma redução em relação aos R$ 1,5 bilhão do segundo trimestre. Essa diminuição se deve à maior rentabilidade do minério de ferro. O Goldman ainda acredita que uma possível alta nos preços do aço pode beneficiar os lucros entre o quarto trimestre de 2025 e 2026, mas considera que o ciclo de valorização do minério de ferro já alcançou seu ápice. A elevada alavancagem e as grandes necessidades de investimento podem pressionar as finanças da empresa, o que gera uma visão cautelosa do banco sobre o desempenho a curto prazo.

A corretora Monte Bravo, embora tenha visto números acima do esperado, sublinhou que as expectativas eram baixas devido ao cenário desafiador enfrentado nas principais atividades da empresa. Apesar dos resultados melhores, as dificuldades em acelerar a geração de caixa foram ressaltadas, especialmente em um contexto de altas taxas de juros.

A XP Investimentos também expressou preocupação com a alavancagem, mantendo uma recomendação neutra para a CSN, em razão de uma perspectiva cautelosa em relação aos preços do minério de ferro e à elevada dívida da empresa.

Em relação à CSN Mineração, o Morgan Stanley constatou que o EBITDA ajustado de R$ 1,988 bilhão superou as expectativas do Visible Alpha e do mercado. Esse desempenho foi atribuído a receitas superiores, que compensaram custos e despesas mais altos. No entanto, o lucro por ação normalizado foi de R$ 0,13, abaixo das expectativas.

O fluxo de caixa operacional da CSN Mineração foi de R$ 1,163 bilhão, superando as expectativas do consenso. Esse desempenho foi impulsionado por adiantamentos de clientes relacionados ao minério de ferro. O Itaú BBA observou que, apesar das melhorias nos resultados, houve uma queda na posição de caixa líquida, que caiu de R$ 4,7 bilhões no segundo trimestre para R$ 3,9 bilhões, em virtude do pagamento de dividendos.

Além disso, a Monte Bravo avaliou positivamente a operação de mineração, atribuindo a ela a boa performance da holding. Apesar do resultado positivo, a geração de caixa continuava ligeiramente negativa.

As recomendações dos analistas variam, com a Monte Bravo mantendo uma classificação neutra para a CSN e um preço-alvo de R$ 12,50, além de recomendar venda para a CSN Mineração, com meta de R$ 5,75. O Goldman Sachs também manteve uma recomendação de venda para ambas as ações, com preços-alvos de R$ 7,50 e R$ 5, respectivamente. O JPMorgan e o Morgan Stanley reforçaram suas classificações de venda para a mineradora, com preços-alvos de R$ 4,50 e R$ 8,50 para a CSN.

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