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Especialistas analisam diferença salarial entre homens e mulheres

A desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil permanece significativa, mesmo com a legislação que garante salários iguais para trabalhos de igual valor. Atualmente, as mulheres brasileiras recebem, em média, 21,2% menos que os homens, o que representa uma diferença de R$ 1.049,67 em empresas com mais de 100 funcionários. Essas informações foram apresentadas no 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres.

O relatório analisou 19,4 milhões de vínculos trabalhistas e revelou que a remuneração média das mulheres é de R$ 3.908,76, enquanto a dos homens é de R$ 4.958,43. Apesar de um leve aumento na participação feminina no mercado de trabalho, que subiu de 40% em 2023 para 41,1% em 2025, a disparidade persiste, afetando diretamente a economia do país. Caso as mulheres recebessem o que realmente deveriam, cerca de R$ 92,7 bilhões a mais circulariam no sistema econômico brasileiro.

Segundo a advogada trabalhista Vanessa Maria Sapiencia, a desigualdade salarial é reflexo de um modelo social que ainda associa liderança e sucesso à figura masculina. Apesar de existirem leis para assegurar a igualdade salarial, a mudança cultural é necessária para que essas normas se tornem efetivas. Ela destaca a importância da colaboração entre áreas como jurídica, compliance e recursos humanos, além da corresponsabilidade do governo e da iniciativa privada.

As empresas costumam justificar a diferença salarial com base em fatores como tempo de experiência, metas de produtividade e planos de carreira. Contudo, essa explicação torna-se ainda mais complexa ao se observar a disparidade entre gêneros e raças. Mulheres negras ganham, em média, 53,3% menos que homens não negros, evidenciando que a desigualdade é um problema multifacetado. Estados como Paraná e Rio de Janeiro apresentam as maiores discrepâncias salariais, enquanto Piauí e Amapá têm as menores diferenças.

O Ministério do Trabalho e Emprego destaca que, embora a Lei de Igualdade Salarial já esteja em vigor, a resistência cultural e a dificuldade de fiscalização ainda são desafios a serem superados. Especialistas afirmam que a desigualdade salarial não é apenas uma questão de legislação, mas também de práticas que promovam a equidade, como processos seletivos imparciais e programas de mentoria.

Os impactos da desigualdade salarial vão além das empresas e têm implicações econômicas amplas. Economistas indicam que essa desigualdade limita o crescimento da renda nacional, reduz a arrecadação de tributos e acentua as diferenças sociais entre gêneros. Estimativas do Fórum Econômico Mundial indicam que, se o ritmo atual persistir, o Brasil levará 132 anos para atingir a igualdade completa no mercado de trabalho.

Embora a situação ainda seja desafiadora, o relatório aponta para alguns progressos. O número de empresas com diferenças salariais de até 5% entre os gêneros cresceu 6,4%, e o percentual de mulheres negras em cargos de liderança aumentou 21%. O governo está intensificando as ações de fiscalização, tendo realizado 787 inspeções até outubro, com 154 autos de infração emitidos.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, reforça que a realização da igualdade salarial não se trata apenas de seguir a lei, mas de internalizar a equidade como um valor nas empresas. A advogada Roberta Dantas Ribeiro destaca que as organizações que promovem a equidade também fortalecem sua imagem e seu valor no mercado. Ignorar essas desigualdades representa um risco, tanto reputacional quanto jurídico.

Os especialistas concordam que, apesar dos avanços na transparência e na legislação, o principal desafio é transformar a igualdade em prática cotidiana, integrando-a ao crescimento econômico e à justiça social.

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