Marcopolo tem queda de 10% após receita abaixo do esperado

As ações da Marcopolo (código POMO4) registraram uma queda significativa na sessão de sexta-feira, com uma baixa de 10,54%, resultando em um preço de R$ 7,89 cada uma. Essa foi a maior queda do dia no índice Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira.
A queda acompanhou a divulgação da receita da empresa, que ficou abaixo do esperado para o terceiro trimestre. A companhia anunciou uma receita líquida de R$ 2,5 bilhões, o que representa 7% a menos do que as expectativas da corretora XP e do mercado em geral. Esse desempenho não atingiu as previsões tanto de analistas quanto de investidores.
De acordo com a XP, os números operacionais mostraram uma mistura de resultados. Enquanto os volumes de vendas no mercado interno foram menores do que o estimado, as exportações apresentaram um desempenho mais forte, especialmente para mercados externos. Apesar do resultado negativo, a margem EBITDA ajustada, que é uma medida de lucratividade, foi de 19,3%. Essa margem foi beneficiada por um mix de produtos de maior valor agregado, um fator que pode continuar positivo no futuro.
A XP também observou que a rentabilidade foi pressionada por uma série de fatores, incluindo um impacto esperado da equivalência patrimonial da NFI e uma contribuição desse programa, chamado Mover.
O Itaú BBA manifestou preocupação semelhante, ressaltando que a receita abaixo das expectativas pode gerar apreensão entre os investidores sobre uma possível desaceleração no mercado doméstico, o que poderia levar a revisões nas expectativas para o ano de 2026. O banco, no entanto, manteve uma recomendação de compra, estabelecendo um preço-alvo de R$ 13 para as ações da Marcopolo.
Por outro lado, o Bradesco BBI avaliou o resultado da empresa como ligeiramente negativo, informando que a receita ficou 5% a 6% abaixo das suas estimativas. A margem EBITDA ajustada foi de 19,6%, enquanto o lucro líquido se alinhou com as expectativas. O Bradesco destacou uma queda de 15% nas receitas provenientes do Brasil, citando um desempenho fraco no setor interurbano. A administração da Marcopolo atribuiu essa desaceleração nas entregas ao aumento das taxas de juros, que levaram as operadoras a adiar seus investimentos à espera de condições mais favoráveis no próximo ano.
O BTG Pactual, por sua vez, reportou que a Marcopolo obteve uma margem ajustada de 19,6% no terceiro trimestre, um número que superou as expectativas, impulsionada pelas exportações e pelo mix mais favorável de produtos domésticos. O banco também mencionou a estabilidade do programa Caminho da Escola e a contribuição dos ônibus elétricos para o resultado. O BTG manteve recomendação de compra e estabeleceu um preço-alvo de R$ 12 para as ações.
Esses resultados refletem um cenário complexo para a Marcopolo, que enfrentou desafios em alguns segmentos, mas ainda viu oportunidades positivas em seus mercados internacionais e na evolução de suas linhas de produtos.




