Últimas notícias

Manifestantes bloqueiam entrada principal da COP30 no Brasil

Cerca de 100 indígenas realizaram uma manifestação pacífica na entrada principal da Conferência Climática da ONU, que acontece na região da Amazônia brasileira, em Belém. A ação, que durou 90 minutos, aconteceu na manhã de sexta-feira e terminou após um diálogo com o presidente das negociações climáticas, que segurou o bebê de um dos manifestantes durante a conversa.

A presença de militares brasileiros impediu que os manifestantes entrassem no local onde ocorrem as discussões da COP30. Durante a manifestação, não houve confrontos físicos, e os indígenas, muitos vestindo roupas tradicionais, formaram uma corrente humana para bloquear a entrada do evento. Outros grupos de ativistas se uniram a eles em uma segunda corrente.

Um dos gritos de ordem durante a manifestação era “Ninguém entra, ninguém sai”, refletindo a determinação dos protestantes. Esta foi a segunda vez em quatro dias que os protestos interromperam as negociações climáticas, que têm como objetivo celebrar e empoderar os povos nativos.

Os líderes do grupo Munduruku conduziram a manifestação, exigindo uma reunião com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma declaração escrita, os manifestantes enfatizaram que não querem ser sacrificados em nome do agronegócio e que defendem a proteção da floresta amazônica. Eles afirmaram que a Amazônia não deve ser destruída para enriquecer grandes corporações.

Entre as demandas apresentadas pelos líderes Munduruku estavam a revogação de planos para o desenvolvimento comercial de rios, o cancelamento de um projeto de ferrovia que poderia causar desmatamento e a criação de demarcações mais claras das terras indígenas. Além disso, pediram que os créditos de carbono relacionados ao desmatamento fossem rejeitados.

Durante o bloqueio de 90 minutos, os participantes da conferência foram desviados, e os delegados puderam entrar pelo acesso lateral. Funcionários da ONU agiram rapidamente para mover detectores de metal para essa entrada alternativa, fazendo com que centenas de pessoas formassem longas filas.

André Corrêa do Lago, presidente da conferência e diplomata experiente, se reuniu com os manifestantes enquanto eles bloqueavam a entrada. Conversando de maneira amigável e segurando o bebê, ele finalizou o diálogo e acabou colaborando para a liberação da entrada, que foi reaberta às 9h37.

A Secretaria da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima informou aos participantes que não havia perigo, referindo-se à manifestação como pacífica. Além disso, activistas, como Paolo Destilo, do grupo ambientalista Dívida pelo Clima, se uniram à corrente humana, sublinhando a importância de dar voz às comunidades indígenas.

A manifestação ocorre após um incidente anterior em que indígenas tentaram invadir a entrada do evento, resultando em um confronto com a segurança, deixando dois guardas feridos. A expectativa é que os protestos aumentem durante o final de semana, com o próximo sábado sendo tradicionalmente um dia com grandes mobilizações nas conferências climáticas da ONU.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezoito − 14 =

Botão Voltar ao topo