Tecnologia

Brasil Lidera Crescimento de Deepfakes em Fraudes na América Latina, Aponta Relatório

A Sumsub, uma renomada empresa dedicada à verificação de identidade e prevenção de fraudes, divulgou seu 5º Relatório Anual de Fraudes de Identidade para o período de 2025-2026. O documento oferece uma análise detalhada de mais de 4 milhões de tentativas de fraude ocorridas entre 2024 e 2025, além de incluir entrevistas com mais de 300 profissionais da área de gestão de riscos e 1.200 consumidores finais. Essas informações ajudam a traçar um panorama abrangente do mercado de fraudes, destacando ameaças emergentes e os setores mais vulneráveis às atividades fraudulentas.

Embora o número absoluto de ataques tenha registrado uma leve queda, a complexidade dos ataques cresceu substancialmente. De acordo com o relatório, houve um significativo aumento de 180% no número de ataques complexos em 2025, impulsionados por tecnologias emergentes como deepfakes, identidades sintéticas e manipulação de telemetria. Isso ressalta a evolução dos métodos utilizados pelos fraudadores, que agora não apenas forjam documentos, mas também manipulam contextos inteiros, incluindo dados de dispositivos e fluxos de câmera, para enganar sistemas de verificação de identidade.

O relatório detalha também que, em um cenário global, aproximadamente 28% das tentativas de fraude são classificadas como altamente sofisticadas. Esta sofisticação decorre da democratização do crime virtual, onde kits de golpe prontos, como phishing as a service (PaaS), estão mais acessíveis. É notório que a América Latina continua sendo uma das regiões mais impactadas pelas fraudes, com um aumento de 13,3% na taxa de fraudes na região entre 2024 e 2025. Dentre as empresas entrevistadas, 86% indicaram que os golpes se tornaram mais complexos, impulsionados principalmente por avanços em inteligência artificial.

No Brasil, uma das descobertas mais alarmantes do relatório é o crescimento de 126% no uso de deepfakes e identidades sintéticas, apesar da redução de 10% nas fraudes de identidade em geral. Este crescimento coloca o país no topo da lista de uso de deepfakes na América Latina, sendo responsável por cerca de 39% desse tipo de fraude na região. Este fenômeno também foi observado em outros países da América Latina, como Guatemala, México, Panamá e Suriname, onde a incidência de deepfakes aumentou entre 400% e 500%.

A pesquisa revela ainda que a maioria das empresas no continente adotou modelos híbridos para a prevenção de fraudes, combinando equipes internas com fornecedores externos. Entretanto, a dependência de processos manuais ainda é um desafio, pois atrasa a detecção e a resposta a fraudes. Com a digitalização das fraudes, 1 em cada 50 documentos falsificados em 2025 foi gerado por inteligência artificial através de ferramentas como ChatGPT, Grok e Gemini.

O relatório da Sumsub apresenta perspectivas para o futuro, prevendo que agentes de fraude com tecnologia de IA poderão executar golpes completados, desde a falsificação de identidades até o processo de verificação em tempo real. Ainda, aponta o papel crucial que a inteligência artificial desempenha tanto para os fraudadores em potencializar suas habilidades quanto para aqueles que defendem contra fraudes, proporcionando uma visibilidade inigualável das ameaças.

Finalmente, para as empresas, o relatório sugere a necessidade premente de adaptação às novas tecnologias impulsionadas por IA, incluindo biometria comportamental e verificação em várias etapas, além do monitoramento contínuo de ambientes eletrônicos para resistir com eficácia a fraudes e esquemas criminosos. Esses são passos essenciais que as empresas devem adotar para se proteger das crescente sofisticação das fraudes digitais.

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