Copom adota cautela e mantém indefinido início de cortes

A XP Investimentos organizou um encontro para discutir a economia brasileira com clientes institucionais, reunindo economistas e gestores do mercado financeiro. Caio Megale, da equipe de Economia da XP, fez uma apresentação com Marcelo Toledo, economista-chefe da Bradesco Asset Management (BRAM). Durante o evento, eles abordaram o cenário econômico atual, as expectativas para a taxa Selic e as possíveis reduções de juros em breve.
Os economistas acreditam que o Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por decidir sobre a taxa Selic, deve optar por manter os juros inalterados na reunião programada para a quarta-feira, dia 5. Eles indicam que o discurso do Banco Central continuará cauteloso, mesmo com sinais positivos de queda da inflação, conforme revelado em dados recentes.
A análise dos especialistas sugere que o Copom não deve fazer alterações significativas no conteúdo de suas comunicações, reafirmando que a taxa de juros deve permanecer elevada por um tempo prolongado. Essa decisão é respaldada por um mercado de trabalho que apresenta desempenho sólido, o que permite uma abordagem mais cautelosa ao tentar controlar a inflação.
Os participantes do encontro mencionaram que um eventual corte na taxa de juros deve ocorrer em março de 2026. Existe, no entanto, a possibilidade de que isso aconteça em janeiro, caso a inflação continue a apresentar melhorias e o mercado de trabalho apresente sinais de desaceleração. Para que o Banco Central possa iniciar o ciclo de cortes em março, é necessário que reduza o tom de suas comunicações, retirando, a partir de dezembro, a expressão “período bastante prolongado”, e apresentando uma perspectiva de queda em janeiro.
Megale observou que, embora o Banco Central possa iniciar os cortes em janeiro, é mais provável que mantenha uma postura cautelosa na decisão de novembro, reiterando a ideia de que a situação vai demandar atenção cuidadosa até dezembro.
Toledo afirmou que o Banco Central está em um momento de espera e que o início e a duração de um eventual ciclo de cortes na Selic dependerão, principalmente, do desempenho da economia. Além da expectativa de cortes em março, a XP projeta que a flexibilização monetária poderá ocorrer em seis intervenções consecutivas, cada uma de 0,50 pontos percentuais, até que a Selic estabilize em 12% ao ano. Nesse cenário, a taxa real seria de 7,5%, acima do que é considerado um patamar neutro de 5,5%.
Os analistas também discutiram outras questões, como a proposta de isenção do Imposto de Renda a ser implementada em janeiro de 2026 e a liberação de recursos que totalizam R$ 40 bilhões para financiar reformas residenciais, através do programa Reforma Casa Brasil. Esses estímulos fiscais podem contribuir para que a economia permaneça aquecida no primeiro trimestre de 2026, o que representa um risco de os cortes na Selic serem menores ou adiados.
Esses estímulos também poderão levar o Banco Central a rever as projeções sobre a ociosidade da economia, o que, por sua vez, poderia limitar a queda das expectativas de inflação. Apesar da proximidade das eleições presidenciais de 2026, a maioria dos participantes acredita que a política monetária não será significativamente influenciada por esse fator nas decisões iniciais sobre redução de juros.




