Analistas das instituições financeiras Itaú BBA e XP Investimentos estão otimistas em relação ao plano da Guararapes, proprietária da Riachuelo, de vender o shopping Midway Mall, localizado em Natal, no Rio Grande do Norte. O anuncio feito na sexta-feira (7) gerou um impacto negativo nas ações da empresa. Na segunda-feira (10), os papéis da Guararapes caíram 8,65%, sendo cotados a R$ 10,45.
A venda do shopping ainda precisa da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas o processo já está em andamento. Isso foi possível após a empresa assinar um memorando de entendimentos não vinculante com um grupo de investidores, que é liderado pela Capitânia Investimentos. O valor estimado do shopping é de aproximadamente R$ 1,6 bilhão, e o pagamento pode ser feito de forma parcelada.
Para a XP Investimentos, essa venda é uma chance de simplificar a estrutura da empresa e liberar valor que atualmente não está sendo refletido nas ações. Se a transação for finalizada, a corretora estima que o múltiplo P/L (Preço sobre Lucro) da Guararapes poderá cair de 9,7 vezes para cerca de 8 vezes até 2026. Isso pode abrir espaço para um retorno em dividendos (dividend yield) entre 20% e 30%, o que é considerado alto para o setor. Os analistas acreditam que os recursos gerados pela venda permitirão uma distribuição significativa aos acionistas, fortalecendo a concentração da empresa em sua principal atividade, o varejo de moda.
O Itaú BBA também vê essa operação de forma positiva e acredita que a transação pode liberar um valor significativo. O banco calcula um valor presente líquido (VPL) de cerca de R$ 360 milhões, o que corresponde a cerca de 6% do valor de mercado da Guararapes. O shopping Midway Mall é considerado um ativo de alta qualidade, e o valor de R$ 1,6 bilhão está no limite superior das estimativas anteriores, que variavam entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,6 bilhão.
Além disso, há a possibilidade de ganhos fiscais. A Guararapes possui prejuízos fiscais acumulados, o que pode permitir que parte do lucro da venda, estimado em cerca de R$ 1,35 bilhão, seja compensado, reduzindo o imposto a ser pago. Assim, a alíquota efetiva poderia diminuir de 34% para cerca de 24%, aumentando o patrimônio da empresa e possibilitando a distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP), melhorando o retorno para os acionistas.
Com base nas projeções do Itaú BBA, o múltiplo P/L previsto para 2026 pode cair de 9,9 para 9,2 vezes, considerando que metade dos recursos da venda seja recebida até esse ano. Os analistas também antecipam um dividend yield entre 18% e 19%, caso a empresa distribua os valores líquidos após a tributação.
Os analistas da XP e do Itaú BBA destacam a boa posição financeira da Guararapes. Essa análise vem após a empresa apresentar, no terceiro trimestre, uma dívida líquida equivalente a 0,7 vez o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), o que proporciona uma boa margem para novas iniciativas e a devolução de parte dos recursos aos acionistas. Mesmo que a alavancagem aumente para uma vez o Ebitda após a venda, a estrutura de capital da empresa permaneceria equilibrada.
A recomendação da XP Investimentos para as ações de GUAR3 é de compra, com um preço-alvo de R$ 17. Por outro lado, o Itaú BBA sugere uma recomendação de desempenho acima da média do mercado para as ações da Guararapes.
