Ninguém Quer perdeu a essência ao desconsiderar regra de Fleabag

A segunda temporada da série “Ninguém Quer” chegou com grandes expectativas após o sucesso da primeira, mas a recepção foi bem mais morna. A comédia romântica da Netflix buscou aproveitar o charme e a química do casal principal, Joanne, interpretada por Kristen Bell, e Noah, interpretado por Adam Brody, que conquistou o público no primeiro ano. No entanto, ao avançar na narrativa, a série enfrentou um desafio comum nos romances televisivos: como manter a história do relacionamento interessante sem torná-la repetitiva.
Em histórias de romance para a TV, é essencial encontrar um equilíbrio. Quando o casal se une muito cedo, a trama pode perder o interesse. Por outro lado, a introdução de muitos conflitos pode fazer o público parar de torcer pelo casal. Na nova temporada, “Ninguém Quer” optou por reintroduzir conflitos já vistos, estendendo a relação entre Joanne e Noah sem trazer novas dimensões emocionais. O resultado foi uma narrativa que parecia estagnada, tentando reproduzir a mesma mágica do início, mas sem sucesso.
O problema se torna evidente no final da temporada, que praticamente refaz a conclusão da primeira. Os personagens enfrentam dilemas semelhantes, com as mesmas incertezas e decisões. Em vez de aprofundar a história ou apresentar novos desdobramentos, a série parece presa a um formato que já havia atingido seu limite.
Em contraste, a série britânica “Fleabag” apresenta uma abordagem diferente. Ao desenvolver a relação entre Fleabag, interpretada por Phoebe Waller-Bridge, e o Padre, vivido por Andrew Scott, “Fleabag” mostra que a força de um romance pode estar na tensão do que não acontece. A trama investe na construção do desejo e na expectativa, tornando cada interação entre os personagens mais significativa.
No caso de “Fleabag”, o relacionamento se desenvolve de forma concisa e impactante, com um obstáculo claro: o Padre é uma figura religiosa que não deveria se envolver romanticamente. Essa situação confere uma intensidade ao relacionamento sem precisar alongar a história de forma artificial.
Essa comparação evidencia o desgaste de “Ninguém Quer”. A série tentou manter um romance já resolvido sem criar novas tensões ou perspectivas para o casal principal. Por outro lado, “Fleabag” demonstrou que nem todo romance precisa ser prolongado para ser memorável. Às vezes, a verdadeira força está em saber quando encerrar a história.
No final, “Ninguém Quer” ilustra como é complicado manter um amor vivo na ficção quando não há elementos suficientes para impulsionar a trama. Enquanto isso, “Fleabag” se destaca como um exemplo de que a paixão, a espera e até a impossibilidade podem gerar narrativas muito mais marcantes do que qualquer final feliz que se estenda indefinidamente.




