A definição e a indefinição da federação por Érico Firmo

A federação entre os partidos União Brasil e Progressistas está se tornando um elemento importante nas eleições do Ceará. Esse agrupamento possui a maior quantidade de governadores, prefeitos, senadores e deputados federais do Brasil, o que o torna um alvo tanto da situação quanto da oposição. Essa dinâmica é crítica, pois a união dos partidos pode fortalecer uma candidatura contra Elmano de Freitas, candidato do PT. Se os partidos conseguissem se unir à base atual do governo, poderiam tornar difícil a concorrência para a chapa adversária.
A recente filiação de Roberto Cláudio ao União Brasil trouxe clareza sobre a posição do partido. Os líderes do União Brasil, como Antônio Rueda, deixaram claro que estão se posicionando como oposição no Ceará. No entanto, o Progressistas, que também é uma força significativa na federação, ainda está firme na base governista e não mostra intenções de mudar de lado. Além disso, há membros do União Brasil que são aliados do governo, incluindo os dois deputados federais mais votados.
Capitão Wagner, um líder local do União Brasil, comentou sobre a possibilidade de expulsar membros do partido que apoiem Elmano. Essa situação é complexa, especialmente com as eleições se aproximando. As últimas assinaturas para mandatos se encerram em janeiro, e o fato de haver recursos disponíveis pode dificultar qualquer mudança nesse cenário. A janela de troca de partido em março pode oferecer uma oportunidade, mas isso dependerá da vontade do partido em apoiar candidatos mais populares. A divisão interna do União Brasil pode ser uma das principais narrativas das próximas eleições em 2026 no Ceará.
Na Assembleia Legislativa do Ceará, uma recente proposta do deputado estadual Romeu Aldigueri, do PSB, alterou o número de assinaturas necessárias para a criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). O novo requerimento aumentou de 12 para 16 assinaturas, unificando as regras com o que acontece no Congresso Nacional, onde a regra também exige um terço de assinaturas. Além disso, há planos para reduzir o número de comissões. Essa mudança pode dificultar a instalação de uma CPI pela oposição, já que atualmente é desafiador alcançar o novo número de assinaturas.
O contexto político no Ceará revela que quem está no poder frequentemente ignora que seu status pode mudar. A situação atual pode ser muito diferente no futuro. Enquanto no Ceará os aliados do governo se tornam cada vez mais enraizados, as mudanças de poder são inevitáveis. O que se observa é uma estratégia comum para dificultar investigações que possam incomodar os governantes. Durante tentativas da oposição de coletar assinaturas, os governistas, utilizando suas maiorias, costumam criar CPIs sobre temas irrelevantes para preencher o espaço e barrar a ação adversária.
Essa manobra foi vista pela primeira vez na época de Juraci Magalhães e se repetiu quando Luizianne Lins assumiu a prefeitura. A base governista na Câmara Municipal iniciou investigações até sobre a ocupação do espaço por postes de luz. Ao longo do tempo, essa estratégia se perpetuou. Quando Roberto Cláudio, do União Brasil, substituiu Luizianne, o PT retornou à oposição e encontrou dificuldades para instalar CPIs devido ao mesmo tipo de obstrução.
A história do poder político é cíclica, e mudanças de governo frequentemente trazem novos desafios e oportunidades.




