Vivo reconsidera estratégias após desistir de aquisição de operadora regional em São Paulo

A Telefônica Brasil, conhecida no mercado sob a marca Vivo, está em busca de novas oportunidades de expansão no setor de telecomunicações, especialmente voltadas para aquisições de operadoras regionais de fibra óptica. Este movimento se segue à decisão de não seguir adiante com a compra da Desktop. A Vivo analisa alternativas para aumentar sua presença no mercado sem comprometer a qualidade técnica e a viabilidade econômica que requer para suas operações, segundo afirmou Christian Gebara, CEO da empresa.

Gebara ressaltou que o crescimento da Vivo pode se dar de forma orgânica, mas a empresa se mantém aberta para avaliar potenciais aquisições, caso surjam novas oportunidades que apresentem um bom custo-benefício e que não resultem em sobreposições indesejadas de suas redes já existentes. “Se alguma outra coisa surgir, sim, podemos analisar, desde que compense a sobreposição [de rede], tenha a qualidade técnica que a gente necessita e preço [adequado]”, destacou o CEO.

Além das estratégias de expansão, a Vivo também está envolvida em uma parceria com o Perplexity AI, um serviço de inteligência artificial. Embora Gebara não tenha detalhado aspectos dessa colaboração, ele mencionou que há uma adoção crescente dos serviços fornecidos pela IA, indicando um potencial aumento da eficiência e inovação nas operações da empresa.

A política de desinvestimento em ativos de cobre faz parte dos planos da Vivo para os próximos anos. A empresa pretende vender R$ 4,5 bilhões em redes de cobre até 2028. Durante o terceiro trimestre de 2025, a Vivo já comercializou R$ 34 milhões em cobre e R$ 200 milhões em imóveis, refletindo sua estratégia de focar em tecnologias mais modernas.

Em relação ao futuro da conectividade no Brasil, Christian Gebara manifestou sua opinião sobre a tecnologia 6G. Ele questiona a necessidade de a Anatel realizar leilões de frequências para essa tecnologia em breve, dado que ainda não existem dispositivos no mercado que suportem o 6G e que a prioridade deve ser garantir o pleno funcionamento do 5G.

No cenário competitivo, a Claro, uma das concorrentes da Vivo, está em negociações avançadas para adquirir a Desktop, uma operadora regional significativa no interior de São Paulo. Caso a aquisição se concretize, a Claro pode aumentar substancialmente sua abrangência no território paulista. A sobreposição de redes entre as duas empresas é considerada baixa, o que torna este negócio ainda mais atrativo estrategicamente.

No entanto, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) levanta preocupações sobre os impactos de uma fusão desse tipo. Entre as questões estão o potencial aumento nos custos de rebrand e os riscos de “lock-in”, onde clientes ficariam presos a uma única solução tecnológica provida por menos concorrentes no mercado. A Anatel também nota que tal fusão poderia diminuir a entrada de novos players no mercado e reduzir a competição entre as operadoras existentes, além de facilitar práticas anticoncorrenciais.

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