Tecnologias Emergentes Prometem Resolver Crises Globais, Afirma Futurista no 3DEXPERIENCE World 2026

Durante o evento 3DEXPERIENCE World 2026, realizado na primeira semana de fevereiro em Houston, nos Estados Unidos, o futurista e inventor Pablos Holman apresentou um panorama de tecnologias emergentes capazes de solucionar algumas das mais graves crises globais nas áreas de energia, saúde e manufatura. Diferente de visões futurísticas abstratas, Holman discutiu projetos concretos de engenharia que já estão em diversas fases de desenvolvimento, desde prototipagem até aprovação regulatória. Holman defende um ‘otimismo prático’, fundamentado em dados e avanços na capacidade computacional.
Holman tem um histórico notável no campo da tecnologia, sendo autor do best-seller “Deep Future” e tendo trabalhado em importantes projetos de “ciência pesada”. Ele foi um dos primeiros colaboradores da Blue Origin, a companhia espacial de Jeff Bezos, e também trabalhou no Intellectual Ventures Lab, um laboratório financiado por Bill Gates que se concentra no desenvolvimento de invenções com alto impacto.
A tese central apresentada por Holman no evento foi de que a humanidade, com as ferramentas tecnológicas atuais, nunca esteve tão preparada para enfrentar desafios que antes pareciam insuperáveis. Ele cita a inteligência artificial como um elemento essencial para modelagem e resolução de problemas complexos, além da capacidade de computação atual, alertando que, se não conseguirmos construir um futuro incrível com esses recursos, não haverá desculpa.
Uma das principais inovações destacadas por Holman é a proposta para a reinvenção da energia nuclear. De acordo com Holman, a demanda energética global precisa ser expandida em dez vezes para que todos possam ter qualidade de vida. A solução que ele destaca é da startup Deep Fission, que propõe a instalação de pequenos reatores modulares (SMRs) a 1,6 km de profundidade no subsolo, onde a pressão natural da água poderia substituir bombas mecânicas, que são um ponto crítico de falha em situações como o ocorrido em Fukushima. Atualmente, há uma lista de espera para 844 desses reatores, e o Departamento de Energia dos Estados Unidos está pressionando para que os primeiros estejam operacionais até julho.
Outra inovação discutida por Holman é a utilização de lasers para o combate à malária. No Intellectual Ventures Lab, foi desenvolvido um sistema que utiliza tecnologia de visão computacional para detectar e abater mosquitos em voo com raios laser. Essa abordagem visa eliminar o vetor da malária sem depender de inseticidas químicos e já foi desenvolvida em estágio de protótipo.
Holman também abordou a questão da reciclagem de plásticos, criticando os métodos mecânicos tradicionais por seu elevado consumo de energia e ineficiência. A solução proposta envolve o uso de inteligência artificial para criar enzimas que funcionam como ‘estômagos gigantes’ capaz de decompor plásticos em monômeros originais, possibilitando a criação de plástico virgem sem necessidade de mais petróleo.
No setor de transporte, Holman propôs a utilização de navios de carga autônomos e movidos a energia eólica e baterias, eliminando a necessidade de óleo bunker. Ele explicou que, com uma tecnologia semelhante à dos carros autônomos, mas mais simples devido à menor complexidade do tráfego marítimo, esses navios poderiam operar sem tripulação, reduzindo custos e riscos.
Quanto à extração de metais preciosos, Holman apontou a mineração urbana como uma solução para o desperdício de metais em lixo eletrônico. Segundo ele, cerca de US$ 30 bilhões em ouro são jogados fora anualmente em placas de circuito. Com novas tecnologias de separação, esses metais podem ser recuperados de forma contínua, eliminando a necessidade de mineração tradicional.
Por fim, olhando para prazos mais longos, Holman destacou a energia solar espacial e a fusão a frio como opções viáveis. A energia solar em órbita pode captar mais energia que na Terra e a fusão a frio, ao que tudo indica, pode alcançar um saldo energético positivo em breve, sem depender dos grandes reatores de plasma atuais.




