Economia

Crescem temores sobre bolha bilionária em inteligência artificial

Nos últimos anos, a crescente popularidade da inteligência artificial (IA) suscitou preocupações sobre a possibilidade de uma bolha especulativa, semelhante à crise das pontocom no final da década de 1990. Essa crise resultou em um colapso significativo do mercado e na falência de diversas empresas.

Atualmente, empresas de tecnologia estão investindo centenas de bilhões de dólares em chips e infraestrutura, não apenas para acompanhar o uso de chatbots como ChatGPT e outros, mas para se preparar para uma transformação econômica em que as máquinas desempenharão papéis cada vez mais importantes no trabalho humano. Os custos totais de investimento podem ultrapassar trilhões de dólares.

Apesar do entusiasmo em torno da IA, muitos especialistas estão cientes de que o mercado pode estar supervalorizado. Eles acreditam que, mesmo que a IA tenha um potencial significativo para revolucionar várias indústrias e melhorar a medicina, ainda não está claro como essa tecnologia gerará lucros de forma consistente.

Um dos grandes desafios é que a enorme quantidade de dinheiro sendo investida em IA ainda não se traduziu em um modelo de negócios comprovado. Executivos do setor expressam preocupação com as avaliações excessivamente otimistas do potencial da IA, mas sentem-se pressionados a investir para não perder espaço no mercado.

Recentemente, Sam Altman, CEO da OpenAI, que desenvolve o ChatGPT, revelou um plano de infraestrutura de IA que pode custar até 500 bilhões de dólares. Outras empresas de tecnologia, como Meta, estão seguindo o exemplo e prometendo investimentos expressivos em data centers.

Um aspecto interessante é que a OpenAI está explorando novas formas de financiamento, incluindo dívidas, para sustentar suas operações. A gigante de chips Nvidia, por exemplo, anunciou um acordo com a OpenAI que pode totalizar 100 bilhões de dólares destinados à expansão de data centers. Contudo, esse movimento também levanta questões sobre a real necessidade de tamanho investimento.

Essas preocupações não são infundadas, especialmente quando se olham os números. Um relatório indicou que até 2030, será necessário gerar 2 trilhões de dólares em receita anual para sustentar o poder computacional necessário, mas a previsão é de que a receita fique 800 bilhões abaixo desse nível.

Investimentos em IA têm atraído também muitas startups, algumas com tecnologias ainda não comprovadas. Recentemente, empresas como a Nebius e a Nscale, que atuam no setor de cloud computing, fecharam acordos milhonários com gigantes como Microsoft e Nvidia. Essas iniciativas evidenciam a corrida por um espaço no mercado de tecnologia, mas há riscos envolvidos, especialmente em um contexto onde muitos já estão começando a questionar a real eficácia da IA.

Pesquisas recentes apontaram que a maioria das organizações que investiram em IA não viu retorno financeiro. O impacto que a IA poderia ter na produtividade está sendo questionado, com alguns estudos sugerindo que a tecnologia está gerando um tipo de trabalho superficial, descrito como “workslop”, que não traz real valor ao trabalho.

Os desenvolvedores de IA também enfrentam desafios, especialmente em relação ao que se espera que a tecnologia alcance. Apesar de décadas de investimento em pesquisa e desenvolvimento, os resultados têm sido mistos. Com a crescente concorrência, especialmente da China, as empresas americanas podem enfrentar dificuldades para recuperar os investimentos massivos na infraestrutura de IA.

A construção em larga escala de data centers levanta também preocupações sobre o consumo de energia, já que a infraestrutura necessária para suportar a IA exige um aumento significativo no consumo elétrico.

Em resposta às preocupações sobre uma possível bolha, Sam Altman expressou que, embora haja otimismo exagerado entre alguns investidores, a promessa da IA de transformação econômica é real. Ele acredita que o caminho até a inteligência artificial geral (AGI) está mais próximo do que se imagina.

Alguns líderes do setor, como Mark Zuckerberg e outros, reconhecem os riscos associados, mas enfatizam que o verdadeiro perigo é não investir o suficiente para não perder oportunidades valiosas. Assim, mesmo com as questões envolvendo a sustentabilidade econômica da IA, o otimismo em relação a sua evolução e impacto no futuro da economia continua.

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