Recentemente, a decisão da LG de interromper o lançamento de televisores com resolução 8K marcou um novo capítulo para o segmento, que agora enfrenta um cenário de escassez de opções no mercado. A indústria, que antes abraçava essa tecnologia avançada, parece estar redirecionando seus esforços para televisores 4K de grandes dimensões e explorando novas tecnologias de painéis, deixando o 8K em segundo plano.
A Associação 8K, que foi estabelecida em 2022 para promover esta tecnologia, sofreu uma redução significativa no número de empresas participantes. De 33 membros, apenas 16 permanecem com interesse no mercado, e dentre eles, somente duas marcas – Samsung e Panasonic – continuam fabricando televisores 8K. Entretanto, a Panasonic tem uma participação global de apenas 1%, o que concentra a maioria da produção nas mãos da Samsung.
Embora a Samsung tenha revelado um novo modelo, o QN990H, durante a CES 2026, a empresa reduziu sua linha de produtos 8K significativamente, de três modelos em 2020 para apenas um neste ano. Este movimento destaca uma redução no investimento em 8K, apesar da empresa continuar a explorar essa tecnologia. A LG, por outro lado, já descontinuou seus painéis 8K nas variantes OLED e LCD, encerrando a produção do modelo Z3.
O êxodo do setor também foi seguido por outras grandes fabricantes. A Sony saiu do mercado em 2025, após descontinuar a série Z9K, e a TCL não lança novos produtos 8K desde 2021. Marcas como Panasonic, Hisense e Philips adotam postura semelhante, com a Philips mantendo apenas protótipos, alegando que o mercado ainda não está maduro para o 8K.
O fracasso das TVs 8K em capturar o interesse do consumidor está relacionado a vários fatores, incluindo limitações de percepção visual humana e questões econômicas. Pesquisas da Universidade de Cambridge e da Meta apontam que a diferença entre resoluções 4K e 8K é quase imperceptível a distâncias normais de visualização. Para telas de 50 polegadas, um espectador precisaria estar a apenas um metro para notar vantagens significativas.
Além disso, a ausência de conteúdo nativo em 8K continua sendo um problema, já que o 4K ainda não se tornou um padrão uniforme em serviços de streaming e transmissões ao vivo. O alto custo também é um fator impeditivo para muitos consumidores. Por exemplo, o modelo LG Z3 foi lançado no Brasil com um preço de R$ 109.999, elevando as barreiras para a adoção generalizada.
As vendas globais de TVs 8K atingiram seu auge em 2022 com 386.800 unidades, mas vêm caindo desde então. Em 2023, as vendas reduziram para 214.400 unidades, com uma projeção de apenas 136.800 unidades para 2025. O futuro das TVs 8K parece estar confinado a nichos específicos e aplicações profissionais, enquanto a indústria se concentra em tecnologias mais visualmente impactantes e economicamente viáveis.
Na busca por alternativas, a indústria de TVs tem investido em tecnologias como OLED, Micro LED, Quantum Dots e Micro RGB, visando aprimorar a precisão de cores, brilho e contraste das telas. Além disso, o foco na produção de telas gigantes, acima de 100 polegadas, está se tornando uma prioridade, prometendo oferecer benefícios mais tangíveis para os consumidores.
