Por Dentro do iSOC: Explorando o Maior Centro de Segurança da América Latina

Imagine uma sala vasta, adornada com telas imensas, onde um time de operadores monitora em tempo real acontecimentos que se desenrolam em milhares de locais espalhados pelo Brasil. Essa é a visão que se tem ao entrar no Intelligent Security Operations Center (iSOC) da SegurPro, situado em São Paulo. No iSOC, ao contrário do que Hollywood nos faz imaginar sobre centros de monitoramento caóticos e barulhentos, o ambiente é notavelmente organizado e silencioso. Focado na Segurança Híbrida, o local combina vigilância física tradicional com análise de dados, enfatizando processos bem definidos.
A instalação, inaugurada em 2020, destaca-se como o maior centro de controle da América Latina e é o primeiro desse tipo a operar globalmente para a SegurPro. O conceito de Segurança Híbrida vai além da simples gravação de imagens. Gustavo Ushimaru, diretor de Negócio e Tecnologia da SegurPro, explica que esse conceito é uma solução que integra tecnologia, pessoas e plataformas. A segurança moderna, segundo Ushimaru, não depende apenas de vigilantes ou câmeras espalhadas, mas de inteligência artificial (IA) e análise de dados que ajudam a filtrar o que é relevante, minimizando alarmes falsos e otimizando a resposta humana.
Os 1.496 pontos monitorados pela SegurPro no Brasil, que incluem desde agências bancárias até centros logísticos, estão conectados a uma plataforma central nada menos que inovadora. Essa infraestrutura tecnológica utiliza a IA para priorizar e processar alertas, permitindo que os operadores se concentrem no que realmente importa. Ushimaru comenta que quanto mais a tecnologia puder tratar os alarmes, melhor, citando exemplos onde a IA pode decidir que um alerta não é importante, baseando-se na análise da imagem.
No iSOC, a tecnologia não para na IA. Durante a visita, os visitantes puderam observar algumas inovações tecnológicas empregadas, que parecem saídas diretamente de filmes de ação. Exemplos incluem uma bola extintora, que pode ser arremessada em um foco de incêndio, e um inovador extintor em formato de bastão, compacto e fácil de carregar. Outro destaque foi um botão de pânico que permite ao usuário compartilhar sua localização em tempo real, algo extremamente valioso em situações de emergência como sequestros.
Assistimos também a demonstrações de tecnologias como um gerador de neblina. Em questão de segundos, o dispositivo enche um ambiente com uma fumaça densa, limitando a visibilidade para intrusos. Essa técnica é útil em emergências, impedindo que invasores visualizem o que há ao redor. Entre os diversos tipos de câmeras utilizadas, destacou-se uma em particular, que sendo discreta como um olho mágico de porta, surpreende pela alta qualidade das gravações que realiza.
Além dos equipamentos físicos, o iSOC investe pesado na análise comportamental para a segurança. Em vez de apenas reagir a crimes já cometidos, o sistema busca identificar comportamentos suspeitos. Ushimaru descreve como a IA pode monitorar áreas comerciais e sinalizar atividades potencialmente perigosas, como uma moto que dá voltas repetidas em um quarteirão, permitindo que a segurança intervenha antes que algo aconteça.
Esse uso da IA em segurança vai ao encontro de uma tendência crescente no mercado brasileiro. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE) mostram que o emprego de inteligências artificiais em segurança cresceu de 54% para 64,3% em apenas um ano. Além da segurança, o iSOC aplica suas soluções tecnológicas em logística, como ocorrido durante eventos de grande porte no Brasil, entre eles o festival The Town e o GP de Fórmula 1 em Interlagos. Lá, a análise de dados ajudou a gerenciar multidões e otimizar o fluxo de pessoas.
Apesar da tecnologização do setor, a visita ao iSOC deixa claro que o elemento humano permanece central. A tecnologia pode oferecer dados e análise, mas a interpretação e decisão final ainda dependem de operadores treinados e capacitados. Ushimaru ressalta a importância de contar com funcionários que saibam usar essas ferramentas de forma eficaz, evidenciando que a automação nunca substituirá a necessidade do julgamento humano em momentos críticos.




