Polícia Australiana Usa Inteligência Artificial para Interceptar Comunicações Cifradas de Criminosos

A inteligência artificial (IA) tem assumido um papel cada vez mais relevante em diversos setores da sociedade, funcionando como uma ferramenta poderosa para enfrentar desafios complexos. Um desses desafios é o combate ao crime, onde já se observa sua aplicação efetiva. Na Austrália, a polícia está à frente de uma inovação que visa utilizar a IA para decifrar os códigos usados por criminosos em plataformas online. Esta proposta envolve a tradução de emojis e gírias, especialmente empregados por integrantes das gerações Z e Alpha, em discussões sobre possíveis atividades ilegais.
Um exemplo desse avanço na Austrália é o desenvolvimento de uma ferramenta pela Polícia Federal Australiana (AFP). Esta ferramenta de IA foi idealizada para identificar termos específicos utilizados em comunidades online de ódio, onde crianças e jovens são frequentemente os alvos. Conhecidos como “crimefluencers”, esses indivíduos se aproveitam das redes para atrair menores de idade utilizando discursos sedutores e agressivos, criando uma sensação de pertença entre os membros do grupo. Nesses meios virtuais, planejamentos de ações criminosas podem acontecer por meio de símbolos aparentemente inofensivos, como emojis, que servem para escapar da detecção por parte das autoridades.
Krissy Barrett, comissária da AFP, destacou que os “crimefluencers” são movidos por um desejo de anarquia e de causar dano, com a maioria das vítimas sendo pré-adolescentes ou garotas jovens. Este contexto impulsionou a criação de uma estratégia mais eficaz para identificar e neutralizar tais crimes. A expectativa com a IA tradutora é desenvolver um protótipo capaz de “interpretar” emojis e gírias de maneira eficaz, mesmo em comunicações criptografadas e grupos de bate-papo. A comissária Barrett explicou que o projeto ainda está em fase de desenvolvimento, e os detalhes técnicos são mantidos em sigilo.
A iniciativa australiana não opera isoladamente. É parte de uma força-tarefa maior do Five Eyes Law Enforcement Group, uma aliança de inteligência composta por Reino Unido, EUA, Canadá, Nova Zelândia e a própria Austrália. Esta colaboração internacional busca caminhos para desmantelar redes de criminalidade digital de alcance global. Segundo Barrett, o objetivo conjunto é criar sistemas que possam prevenir essas práticas criminosas de maneira mais eficaz e coordenada entre os países envolvidos.
No entanto, o projeto enfrenta desafios significativos. O principal deles é o caráter dinâmico das linguagens usadas por jovens nas redes sociais, que estão em constante evolução. Expressões que ontem tinham um significado podem já não tê-lo hoje, especialmente no contexto de aplicativos e plataformas sociais tão variadas como o TikTok. Um mesmo emoji ou gíria pode ter interpretações completamente diferentes dependendo do contexto, o que pode complicar a tarefa do sistema em diferenciar uma comunicação aparentemente inofensiva de uma ameaça real.
O sucesso desse tipo de ferramenta depende imensamente de sua capacidade de análise de contexto, algo que pode ser alcançado com técnicas de aprendizado de máquina e bancos de dados extensos provenientes de interações em redes sociais. Com essas ferramentas, as autoridades esperam que a IA possa se ajustar rapidamente às novas tendências de comunicação digital, garantindo que a ferramenta de combate ao crime fique sempre à frente.




