Passagem do cometa interestelar 3I/ATLAS perto do Sol é observada por sondas espaciais

O cometa 3I/ATLAS está prestes a atingir seu ponto máximo de proximidade com o Sol, conhecido como periélio, nesta quinta-feira (30). Este evento celestial atrai a atenção de cientistas e entusiastas da astronomia em todo o mundo, especialmente porque diferentes sondas espaciais terão a oportunidade de observar de perto este fenômeno. O periélio é um marco importante na órbita do cometa, pois marca o momento em que ele está mais próximo da nossa estrela, proporcionando insights valiosos sobre sua composição e comportamento.
De acordo com a agência espacial norte-americana NASA, o cometa 3I/ATLAS se aproximará a uma distância de 1,4 unidade astronômica (UA) do Sol, o que equivale aproximadamente a 210 milhões de quilômetros. A unidade astronômica é uma medida padrão utilizada em astronomia para descrever distâncias dentro do sistema solar, correspondendo à distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de quilômetros. À medida que o cometa se aproxima do Sol, o aumento da temperatura transforma o gelo em sua superfície em vapor, liberando gases que formam a coma ao redor do núcleo.
Este processo de aproximação resulta na formação de duas caudas distintas. Uma composta por poeira, e outra por partículas iônicas, o que torna o cometa mais brilhante e mais fácil de ser observado. No entanto, desde o final de setembro, o 3I/ATLAS entrou em conjunção solar, o que significa que ele passou por trás do Sol em relação à Terra. Isso fez com que o cometa ficasse fora do alcance dos telescópios baseados na Terra e também daqueles posicionados em locais estratégicos no espaço, como o ponto de Lagrange L2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
Nesse contexto, as espaçonaves que atualmente exploram o Sistema Solar desempenham um papel crucial na observação do periélio do cometa. A sonda Mars Express e o ExoMars Trace Gas Orbiter, ambas da Agência Espacial Europeia (ESA), estão em órbita de Marte e têm uma visão privilegiada desse evento. Ao longo dos anos, essas missões têm contribuído significativamente para o estudo dos objetos interestelares que cruzam o nosso sistema. Durante a passagem mais próxima do 3I/ATLAS pelo Planeta Vermelho em outubro deste ano, ambas já participaram de observações importantes, ampliando nosso conhecimento sobre esses corpos celestes.
Outra missão europeia, a Jupiter Icy Moons Explorer (JUICE), prevista para realizar observações entre 2 e 25 de novembro, também está preparada para registrar a passagem do cometa. No entanto, devido à necessidade de proteger seus instrumentos da intensa radiação solar, a JUICE estará usando sua antena principal como escudo, e os dados só serão transmitidos a partir de fevereiro de 2026. Da mesma forma, as missões Psyche, que está a caminho do asteroide 16 Psyche, e Lucy, que estuda asteroides troianos, ambas da NASA, podem também capturar imagens do 3I/ATLAS.
A comunidade científica está particularmente interessada nas observações do 3I/ATLAS durante o periélio, pois os gases liberados de sua superfície podem revelar detalhes importantes sobre sua composição química. Estudos anteriores identificaram a presença de elementos como dióxido de carbono, água, gelo de água, monóxido de carbono e sulfeto de carbonila na coma, proporcionando informações valiosas sobre o cometa. Os astrônomos sugerem que o cometa tem cerca de 7 bilhões de anos, e análises adicionais poderão ajudar a estimar com mais precisão o sistema estelar de origem desse objeto interestelar anteriormente desconhecido.




