Os golpes digitais que têm como foco as transações realizadas via Pix cresceram de forma considerável ao longo deste ano, conforme destaca a terceira edição da pesquisa “Golpes com Pix”, realizada pela Silverguard, uma empresa especializada em inteligência contra fraudes financeiras. A pesquisa, que utilizou dados relevantes fornecidos pelo Banco Central, abrangeu um total impressionante de 12.197 denúncias registradas na Central SOS Golpe, demonstrando um aumento significativo de 21% no prejuízo médio em comparação ao ano de 2024.
Além do aumento nos valores perdidos, a pesquisa identificou uma alteração significativa nas estratégias utilizadas pelos golpistas, especialmente no que concerne à conta para a qual os valores são transferidos. Este ano, 65% das fraudes terminaram em contas de pessoas jurídicas, ao contrário das contas de pessoas físicas, como era mais comum nos anos anteriores. Esta mudança aponta para uma sofisticação no modo de operação dos criminosos, que almejam conferir um ar de legitimidade às operações fraudulentas ao envolverem aparentemente negócios legítimos no esquema.
O detalhamento financeiro apresentado pela pesquisa é alarmante: golpes de engenharia social, onde a vítima é ludibriada a realizar pagamentos, acarretaram um prejuízo de R$ 51 bilhões apenas nos últimos 12 meses. Fraudes associadas ao uso de cartão de crédito resultaram em perdas de R$ 23 bilhões, enquanto as relacionadas a contas-correntes e poupanças somaram R$ 38 bilhões. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que a soma das perdas devido aos golpes digitais ultrapassa R$ 100 bilhões, um montante alarmante.
De acordo com Marcia Netto, CEO da Silverguard, o envolvimento com crimes digitais atingiu um nível de profissionalismo anteriormente não observado. Ela destacou que os golpes, agora, são conduzidos como verdadeiras operações empresariais, movendo imensas quantias financeiras, alugando contas de pessoa jurídica e até promovendo anúncios por meio de redes sociais. Isso evidencia um nível de organização e escala que faz com que essas ações criminosas se aproximem cada vez mais de um modelo corporativo.
A pesquisa também jogou luz sobre as disparidades regionais no impacto dos golpes. No topo do ranking, encontra-se o estado de Alagoas, onde o valor médio de perda por vítima chega a R$ 3.370. O Espírito Santo segue de perto, com R$ 2.890, e Roraima está na terceira posição, com um prejuízo médio de R$ 1.880. Em comparação, São Paulo apresenta uma média inferior, com perdas médias atingindo R$ 1.600.
Outro aspecto investigado foi a idade das vítimas. O relatório revela que pessoas com mais de 60 anos são atingidas de forma mais severa, perdendo até cinco vezes mais do que os jovens com idade entre 18 e 29 anos. Ademais, as plataformas sociais, especificamente as que pertencem ao conglomerado Meta, como WhatsApp, Instagram e Facebook, são os principais ambientes onde esses crimes ocorrem. No WhatsApp, plataforma que concentra a maior quantidade de vítimas idosas, 29,6% dos golpes se concretizam. Já no Instagram, este índice é de 21,4%, e no Facebook, 13,1%.
Marcia Netto expressou preocupação com a crescente utilização de inteligência artificial nas atividades fraudulentas. Com 85% das fraudes originando-se em alguma grande empresa de tecnologia, a aplicação de deepfakes, por exemplo, intensifica o perigo, tornando as histórias enganosas mais críveis e difíceis de serem identificadas. Entre os tipos de golpes mais comuns estão falsos anúncios de produtos em lojas inexistentes, promessas de empregos fictícios e investimentos fraudulentos que asseguram retornos financeiros irreais.
Este aumento nos golpes digitais reflete uma tendência contínua de deslocamento da atividade criminosa para o ambiente virtual. No último ano, enquanto os crimes digitais registraram uma elevação de 26%, os roubos físicos apresentaram uma queda de 14%.
