ESA alerta para possível destruição total de satélites em supertempestade solar

Recentemente, a Agência Espacial Europeia (ESA) revelou que suas simulações projetam um cenário alarmante. Uma futura supertempestade solar, semelhante ao Evento de Carrington, seria capaz de danificar ou mesmo destruir todos os satélites atualmente em órbita da Terra. O Evento de Carrington, ocorrido em 1859, é notoriamente conhecido como a tempestade solar mais intensa registrada até hoje, tendo causado severas perturbações no campo magnético terrestre e intensas auroras visíveis praticamente em todo o planeta.
Esses testes foram conduzidos no Centro Europeu de Operações Espaciais, localizado em Darmstadt, na Alemanha. Eles fazem parte dos preparativos relacionados ao próximo lançamento do satélite de radioimagem Sentinel-1D pela ESA, cuja decolagem está programada para 4 de novembro. A escolha do Evento de Carrington como referência deve-se à sua intensidade sem precedentes e aos efeitos devastadores que causou na época.
A simulação realizada pelos cientistas da ESA envolveu uma erupção solar de magnitude 45. Esta erupção hipotética, considerada de alta intensidade, projetaria duas ondas de radiação intensa em direção à Terra. Posteriormente, uma imensa ejeção de massa coronal (EMC), viajando a uma velocidade de aproximadamente 7,1 km/s, atingiria o planeta, desencadeando uma tempestade geomagnética similar àquela registrada em 1859.
Jorge Amaya, coordenador de modelagem de clima espacial da ESA, emitiu um comunicado destacando que uma tempestade de tal magnitude não deixaria satélites a salvo. Embora satélites em órbita baixa da Terra usufruam de uma relativamente maior proteção oferecida pela atmosfera e pelo campo magnético terrestre, a gravidade de uma explosão comparável ao Evento de Carrington poderia comprometer até esses sistemas mais defendidos.
Os especialistas enfatizam que, embora a simulação esteja relacionada ao planejamento do Sentinel-1D, o surgimento de uma supertempestade solar de tal dimensão não é uma questão de possibilidade, mas sim de tempo. Observa-se que tempestades solares de nível equivalente ao de Carrington tendem a ocorrer com uma periodicidade média de 500 anos. Apesar disso, a probabilidade de um evento semelhante ocorrer neste século é estimada em apenas 12%.
Embora sejam possíveis simulações para prever os efeitos e elaborar medidas de proteção, os cientistas da ESA ressaltam que o impacto real de um colapso dessa escala só poderia ser sentido durante sua ocorrência. O especialista em operações de espaçonaves, Gustavo Baldo Carvalho, que liderou as simulações, frisou que é crucial estabelecer estratégias de resposta e prevenção. Desenvolver capacidades para gerenciar eventos dessa natureza é vital para minimizar riscos e danos.




