Política

Menor geração de vagas confirma esfriamento da economia

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados recentemente pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o Brasil criou 213 mil novas vagas de emprego em setembro. Este número supera as expectativas do mercado, que eram de cerca de 170 mil novas contratações. No entanto, ao analisarmos o período de janeiro a setembro de 2025, há uma leve redução no número total de empregos criados, com 1,7 milhão de novas vagas, em comparação a 1,9 milhão no mesmo intervalo de 2024.

Economistas apontam que esses dados refletem uma desaceleração gradual na atividade econômica do país. Rodolfo Margato, economista da XP, destaca que, embora a criação de empregos em setembro seja positiva, a comparação em um período mais longo revela um pequeno declínio. Essa tendência de desaceleração, embora lenta, é um sinal importante para a economia. O economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), reforça que o mercado de trabalho demonstrou resiliência. Segundo ele, a desaceleração é suave e não gera preocupações imediatas, mesmo diante da persistência de taxas de juros elevadas.

Outro economista, André Valério, também observa que há uma acomodação no mercado de trabalho, com os números acumulados em 12 meses apresentando o menor valor do ano, além de estarem 13% abaixo dos dados registrados em setembro do ano anterior. As previsões da XP indicam que a criação líquida de novos postos de trabalho deverá ser de 1,34 milhão em 2025, após 1,68 milhão em 2024, e uma expectativa de 950 mil novas vagas em 2026.

Outra informação relevante é sobre os salários. Margato relata que o salário médio nominal, sem levar em conta a inflação, subiu 5,9% em setembro em relação ao mesmo mês do ano passado. O salário de desligamento, que representa quanto um trabalhador costuma receber ao deixar uma empresa, teve um aumento de 7% na mesma comparação, superando o crescimento observado nos meses anteriores. Contudo, em termos reais, ou seja, após ajuste pela inflação, o salário médio de admissão caiu 0,1%, enquanto o de desligamento teve um leve aumento de 0,3%.

Além disso, o número de pedidos de demissão permanece alto, indicando que o mercado de trabalho está aquecido e com opções suficientes para os trabalhadores. A XP projeta que a taxa de desemprego será de 6% ao final de 2025 e 6,3% em 2026, apontando para um “mercado de trabalho apertado”.

Quanto à atividade econômica, Margato prevê uma leve desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) até o final do ano, em comparação com os dois primeiros trimestres, mas ainda em um cenário positivo. Ele estima um crescimento do PIB de 0,2% nos últimos dois trimestres de 2025, após uma média de 0,8% nos primeiros trimestres. Apesar da desaceleração, o mercado de trabalho continua com sinais de aquecimento, embora o impacto no controle da inflação seja menor do que se esperava.

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