Nas últimas semanas, o fundo soberano da Noruega ganhou destaque na imprensa por diversas razões. Recentemente, o governo norueguês anunciou um investimento significativo de US$ 3 bilhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a COP30. Além disso, o fundo se destacou ao votar contra um aumento salarial para Elon Musk, CEO da Tesla, e anunciou que se absteria de votar em uma assembleia da farmacêutica Novo Nordisk sobre a escolha do novo conselho de administração.
A importância das decisões de investimento do fundo soberano norueguês, considerado o maior do mundo, se deve ao seu tamanho e impacto nos mercados financeiros globais. Esse fundo, conhecido como Norges Bank Investment Management, possui quase US$ 2,1 trilhões em ativos e investe em aproximadamente 70 países, diversificando seus recursos em mais de 11 mil tipos de ativos.
O fundo foi criado em 1986, a partir da necessidade do governo norueguês de gerenciar o excedente das receitas do petróleo. O interesse em explorar recursos naturais começou em 1960, quando o governo reivindicou a soberania sobre a plataforma continental do país no Mar do Norte. A descoberta de petróleo na região foi anunciada na noite de Natal de 1969. Em 1974, o governo começou a elaborar planos sobre como gerenciar essa riqueza, culminando na criação do fundo em 1990. Seu objetivo é garantir uma gestão sustentável da receita do petróleo e oferecer recursos para enfrentar crises econômicas e atender a demandas de uma população em envelhecimento.
Com foco em investimentos de longo prazo, o fundo compromete-se a aplicar seus recursos no exterior, evitando assim uma possível sobrecarga na economia norueguesa. A primeira transferência oficial para o fundo aconteceu em 1996, seguindo práticas de formação de reservas cambiais.
Atualmente, mais de 70% dos investimentos do fundo estão no mercado de ações ao redor do mundo, enquanto cerca de 27% estão em renda fixa. O fundo também investe em imóveis e projetos de energia renovável, que juntos representam uma pequena fração do total.
No campo tecnológico, o fundo tem investimentos significativos em grandes empresas como Nvidia, Microsoft, Apple, Amazon, Alphabet e Meta, o que o tornou uma voz relevante nas deliberações sobre o mercado financeiro. Até outubro, o fundo mantinha cerca de US$ 11,7 bilhões investidos na Tesla.
No Brasil, a presença do fundo é marcante, com participações em 97 empresas listadas na bolsa. Suas maiores participações incluem a construtora Tenda, com 4,71% do capital, e investimentos significativos em empresas como Hapvida, MRV, Localiza e Magazine Luiza. O maior investimento em uma única empresa é na Petrobras, totalizando cerca de US$ 880 milhões, ou 1,17% do capital da companhia. Além disso, o fundo possui aproximadamente US$ 700 milhões em títulos do Tesouro brasileiro.
Recentemente, o fundo divulgou um retorno de 5,8% para o terceiro trimestre, impulsionado por ganhos no mercado de ações e entusiasmo com o setor de inteligência artificial. Os investimentos em ações geraram um retorno de 7,7%, enquanto a renda fixa trouxe 1,4%. O setor imobiliário e a infraestrutura de energia renovável também contribuíram modestamente para o desempenho do fundo. O vice-CEO do Norges Bank destacou que setores como materiais básicos, finanças e telecomunicações tiveram um impacto positivo, especialmente em regiões como o Japão e a Coreia do Sul.
