O Índice de Atividade Econômica, que serve como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), indica que o crescimento da economia brasileira deve ser moderado. Setores importantes estão mostrando perda de impulso, o que reflete os efeitos da política monetária, segundo especialistas.
Economistas afirmam que a economia voltou a operar em um ritmo mais lento no final do terceiro trimestre de 2025, sem uma recuperação consistente após o mês anterior. Rodolfo Margato, da XP, observou que em comparação a setembro do ano passado, o indicador teve um aumento de 2%. Este resultado está próximo das previsões do mercado, que esperava um crescimento entre 1,9% e 2,1%.
Margato ressaltou que a principal preocupação está na análise dos dados trimestrais, onde se observou uma contração de 0,9% no terceiro trimestre em comparação ao segundo. Esse recuo deve-se a quedas na atividade industrial de 0,7%, em impostos, com variação negativa de 0,65%, e em serviços, que apresentou uma redução de 0,1%. O único setor que teve um resultado positivo foi a agropecuária, que cresceu 1,5% após seis meses consecutivos de queda.
Rafael Perez, economista do Suno Research, explicou que o bom desempenho do agronegócio é resultado do início da safra de verão. Ele também afirmou que a indústria está sendo afetada pela alta taxa básica de juros, atualmente em 15%, o que torna o crédito mais caro e diminui a demanda interna, além de incertezas no cenário econômico internacional.
O setor de serviços também mostrou sinais de lentidão, o que indica uma perda no crescimento do consumo. Perez observou que essa desaceleração é influenciada pelos efeitos menores dos precatórios recebidos em julho e pelo elevado nível de endividamento das famílias. Com setores que antes apresentavam robustez, como o de serviços, começando a desacelerar, espera-se que o ritmo da atividade econômica apresente sinais mais claros de diminuição, tendência que pode se intensificar no último trimestre do ano.
Em termos de comparação com o ano anterior, o indicador se mostrou estável em relação a setembro de 2024. Isso sugere que o nível de atividade econômica se mantém em uma oscilação lateral. Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, comentou que a volatilidade recente do indicador, com quedas em julho e agosto seguidas por uma nova retração em setembro, indica que o crescimento perdeu consistência ao longo do trimestre. Ela observa que as atuais condições financeiras ainda são restritivas e a demanda segue se normalizando após ter atingido um pico no início do ano.
Com relação às expectativas futuras, o Goldman Sachs prevê que a atividade econômica se beneficie das transferências fiscais federais destinadas a famílias de baixa renda, que tendem a gastar mais. Além disso, melhorias na renda disponível das famílias e novos programas de empréstimos devem estimular a atividade. Contudo, as condições financeiras restritivas, o alto endividamento das famílias e baixos níveis de ociosidade econômica podem limitar esse crescimento.
A XP destaca que a atual situação do indicador não altera suas projeções para o PIB. Para o terceiro trimestre, espera-se um leve crescimento de 0,2% em relação ao segundo trimestre, e em comparação ao terceiro trimestre de 2024, um aumento de 1,6%. Essa estimativa supera a do IBC-Br, que é de 1,1% para o mesmo período. Para todo o ano de 2025, a projeção do PIB permanece em 2,1%, enquanto o ASA prevê um fechamento do terceiro trimestre com variação de 0,2%, sinalizando uma economia em desaceleração. O PicPay também mantém sua projeção de PIB para 2025 em 2,2%.
