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EUA diminuem tarifa sobre Suíça de 39% para 15%

Os Estados Unidos e a Suíça anunciaram um novo acordo comercial que prevê a redução das tarifas dos produtos suíços de 39% para 15%. Além disso, os dois países, juntamente com Liechtenstein, firmaram um compromisso de investir US$ 200 bilhões nos EUA até 2028.

A Casa Branca informou que as negociações devem ser concluídas e o acordo definitivo assinado até o primeiro trimestre de 2026. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, destacou que esse acordo elimina barreiras comumente enfrentadas e abre novos mercados para produtos americanos. Ele também mencionou que o investimento suíço ajudará a diminuir o déficit dos EUA em setores estratégicos, como a indústria farmacêutica, e deve criar milhares de empregos.

De acordo com os detalhes do acordo, pelo menos US$ 67 bilhões dos investimentos deverão ser aplicados já em 2026, com foco em áreas como farmacêutica, dispositivos médicos, aeroespacial e fabricação de ouro.

O ministro da Economia da Suíça, Guy Parmelin, afirmou que a redução das tarifas coloca seu país em igualdade com a União Europeia, já que as tarifas de 39% impactam cerca de 40% das exportações suíças. Ele declarou que, embora prefira que o investimento de US$ 200 bilhões fosse destinado à Suíça, o objetivo do governo é tornar as empresas locais mais competitivas.

As novas tarifas devem ser implementadas em um curto período, em questão de “dias a semanas”, assim que o sistema aduaneiro dos EUA for ajustado. Helene Budliger Artieda, diretora da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça, mencionou que os investimentos suíços nos EUA serão, em grande parte, vindos dos setores farmacêuticos e ciências da vida, com a indústria farmacêutica sendo a principal área de exportação da Suíça para os EUA.

O acordo garante que empresas farmacêuticas suíças, como Roche e Novartis, terão um teto tarifário de 15% em futuras tarifas relacionadas à segurança nacional, que poderiam alcançar até 100% para alguns medicamentos. Além disso, o limite de 15% se aplicará a futuras tarifas, como as de semicondutores, colocando a Suíça na mesma condição da União Europeia.

O pacto também prevê que a Suíça reduzira as tarifas sobre produtos industriais e agrícolas dos EUA, incluindo cotas tarifárias isentas de impostos para 500 toneladas de carne bovina, 1.000 toneladas de carne de bisão e 1.500 toneladas de carne de aves.

Representantes de associações industriais suíças celebraram a notícia, alegando que isso coloca as empresas suíças em igualdade de condições com aquelas da União Europeia, que já haviam negociado tarifas mais baixas. Nicola Tettamanti, presidente da Swissmechanic, afirmou que a redução das tarifas representa uma excelente notícia para o setor industrial, que vinha enfrentando tarifas altas desde agosto.

No entanto, alguns especialistas ainda veem riscos e desafios econômicos pela frente. Hans Gersbach, diretor do instituto econômico KOF, comentou que setores como máquinas e alimentos sentirão alívio, prevendo um crescimento de 0,9% na economia suíça em 2026, podendo chegar a mais de 1% com o corte tarifário.

Em 2024, a Suíça registrou um superávit comercial de US$ 38,3 bilhões com os EUA, e nos primeiros sete meses de 2025, o saldo aumentou para US$ 55,7 bilhões. Esse aumento foi impulsionado pela antecipação das importações americanas antes da imposição de tarifas.

A economista Nadia Gharbi, do banco Pictet, considera que a redução das tarifas elimina um dos principais riscos para a economia suíça, melhorando as perspectivas de crescimento industrial. Antes do acordo, a Suíça enfrentava dificuldades de competitividade em comparação às economias europeias vizinhas, que já pagavam tarifas consideravelmente menores. A indústria suíça relatou uma queda de 14% nas exportações para os EUA nos últimos três meses, e os fabricantes de máquinas e ferramentas enfrentaram uma queda ainda maior de 43%.

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