O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou um crescimento de 0,4% em agosto, em comparação com julho, de acordo com os dados divulgados recentemente. Este aumento ocorre após três meses consecutivos de queda. Contudo, o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que previa um crescimento de 0,7%, e da XP, que projetava uma alta de 1,1%.
Apesar do crescimento em agosto, é projetada uma diminuição de 0,8% na atividade econômica para o terceiro trimestre em comparação ao segundo trimestre. Quando analisado em relação ao mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve um aumento de 0,1%, enquanto as previsões eram de um crescimento de 1% pela XP e 0,7% pelo mercado. Em um intervalo de doze meses, o índice acumulou um crescimento de 3,2%.
O relatório também trouxe informações sobre dados revisados, indicando um aumento de 1,2% na atividade econômica anual de julho, em comparação com a estimativa inicial de 1,1%. Apesar dos números positivos em agosto, a XP mantém uma previsão de aumento de 0,2% para o PIB no terceiro trimestre, considerando um crescimento de 1,65% quando analisado anualmente.
Os economistas da XP apontam que a atividade econômica está se desacelerando, em parte devido a condições de crédito mais difíceis, como taxas de juros elevadas, aumento da inadimplência e endividamento das famílias. Mesmo assim, o crescimento da renda está ajudando a sustentar a economia no curto prazo.
Para setembro, a XP prevê uma queda mensal de 0,1% no IBC-Br, com uma elevação prevista de 2,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Isso poderia resultar em uma queda acumulada de 0,6% no terceiro trimestre de 2025.
De acordo com análises da Armour, o resultado de agosto parece sinalizar uma leve recuperação após os resultados desapontadores de julho, mas o crescimento permanece modesto e deverá se manter assim até o final do ano, refletindo uma política monetária ainda restritiva.
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, observa que os resultados de agosto reforçam a percepção de que a economia brasileira não enfrenta um risco iminente de desaceleração drástica, mas sim um crescimento mais contido. Ela ressalta que o desempenho do segundo semestre dependerá da política monetária, da confiança dos agentes econômicos e das condições do mercado de trabalho, em um cenário fiscal e externo desafiador. A projeção final para o PIB brasileiro permanece em 2,2%.
