Política

IA é aliada contra risco fiscal e envelhecimento global

O cenário mundial está passando por mudanças significativas que podem afetar os mercados nos próximos 10 a 20 anos. O estrategista-chefe da Franklin Templeton, Stephen Dover, descreve esse movimento como “seis ondas poderosas”. Essas ondas estão ligadas e incluem o aumento dos gastos públicos, o endividamento dos países, o envelhecimento da população, taxas de juros elevadas, avanços na Inteligência Artificial (IA), tensões geopolíticas e mudanças climáticas.

Dover apresentou suas ideias durante o evento Debates 2025, realizado em São Paulo, onde discutiu os riscos e oportunidades oferecidos pela IA, a diversificação de investimentos e a busca por alternativas ao dólar.

Ele destaca que a produtividade deve ser aumentada por meio da IA. Isso poderia resultar em taxas de juros mais baixas e manter o sistema da Previdência Social em equilíbrio. Se essa tendência se concretizar, surgiriam novas oportunidades de investimentos, especialmente na diversificação de mercados e ativos.

À medida que o endividamento das nações desenvolvidas atinge níveis elevados, a situação se torna uma preocupação para o crescimento a longo prazo. Embora não se preveja uma crise repentina, o aumento das taxas de juros se torna necessário para lidar com a inflação e as dívidas. Isso, por sua vez, encarece os investimentos das empresas, dificultando o avanço da indústria da IA.

Dover observa que existe uma baixa expectativa de solução para o problema da dívida nas nações ocidentais. As alternativas, que envolvem reduzir a dívida ou aumentar os impostos, são complicadas de serem implementadas. Ele acredita que a IA pode ajudar a aumentar a produtividade e, consequentemente, a renda per capita. A aplicação da IA na saúde, por exemplo, pode reduzir custos e otimizar o uso de recursos.

Em relação aos investimentos, Dover alerta para o risco de se concentrar excessivamente em empresas de tecnologia e IA. Ele argumenta que, embora haja um otimismo em relação a essas áreas, é importante procurar diversificação em outros setores e fora dos Estados Unidos. Dover ainda critica a percepção de que investir no S&P 500 garante diversificação, já que atualmente esse fundo apresenta alta concentração em tecnologia.

Ele recomenda explorar ações de menor capitalização, mercados emergentes, imóveis e ativos digitais como alternativas viáveis. Durante o evento, ele também abordou a situação da China e os investimentos em tecnologia da IA. Embora tenha evitado críticas diretas ao país, Dover apontou que a China está investindo rapidamente em IA, o que pode criar vantagens competitivas.

Além disso, ele comentou sobre a desvalorização recente do dólar em comparação com outras moedas, afirmando que isso não deve ser visto como uma ameaça significativa, mas sim como um indicativo da necessidade de diversificação monetária. Mercados em desenvolvimento não deixarão de usar o dólar, mas estão começando a diversificá-lo. A Franklin Templeton demonstra uma visão favorável ao iene, considerando sua desvalorização, e ao euro, que pode se valorizar no futuro. Moedas do Sul e Sudeste Asiático também são vistas como boas opções para diversificação.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

catorze + 16 =

Botão Voltar ao topo