Fed dividido sem dados claros, mantém incerteza sobre futuro

Na quarta-feira, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, anunciou uma nova redução na taxa de juros, ajustando-a em 0,25 pontos percentuais. Essa decisão, embora esperada, veio acompanhada de incertezas sobre a direção econômica do país, principalmente devido à falta de dados recentes causadas pela paralisação do governo. Esse cenário resultou em opiniões divergentes entre os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que elucida a complexidade da situação econômica atual.

Ainda que muitos especialistas acreditem que o corte pode se repetir na última reunião do ano, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, ressaltou durante a coletiva de imprensa que a decisão não está garantida para dezembro. Essa incerteza se reflete em uma divisão nas votações dos membros do FOMC, mostrando que há opiniões contrárias sobre o que fazer a seguir.

Durante a reunião, a nova faixa da taxa de juros foi fixada entre 3,75% e 4,00%. No entanto, alguns diretores, como Stephen Miran, apotaram por um corte maior de 0,50 pontos e outros, como Jeffrey Schmid, defendiam a manutenção das taxas como estavam.

Uma das principais decisões tomadas foi o anúncio do fim do “aperto quantitativo”, que é um processo de redução da oferta monetária. A partir de dezembro, os recursos obtidos com títulos que vencem serão reinvestidos em papéis de prazos mais curtos. Esse movimento já era esperado, visto que havia sinais de pressão de liquidez nos mercados nos últimos dias. Powell já havia indicado anteriormente sua intenção de encerrar essa estratégia após atingirem um nível satisfatório de reservas.

Outra questão importante é a normalização do balanço do Federal Reserve, que chegou a quase US$ 9 trilhões em 2022 e agora deve se estabilizar em cerca de US$ 6 trilhões. Isso ainda está acima do nível pré-pandemia, que era próximo de US$ 4 trilhões. Essa normalização levanta debates sobre a possibilidade do Fed retomar a expansão do balanço em 2026, especialmente em um cenário de inflação alta e mercado de trabalho instável.

Na coletiva, também surgiram questionamentos sobre o status do mercado de trabalho. Com o governo em paralisação, não houve novos dados disponíveis, mas houve uma expectativa na comunidade financeira em relação a possíveis demissões e uma possível retração do mercado. Apesar disso, Powell fez observações sobre a resiliência do mercado de trabalho, afirmando que não há um enfraquecimento rápido como as expectativas sugeriam em meses anteriores.

Ele mencionou que as mudanças no mercado de trabalho são impulsionadas por fatores cíclicos, como a diminuição do número de imigrantes e uma desaceleração na demanda. Além disso, os investimentos em inteligências artificiais foram um tópico discutido, com Powell apontando que não se pode atribuir diretamente a queda no emprego a essa nova tecnologia.

Por fim, especialistas comentaram que a divisão nas votações reflete a incerteza atual sobre a economia e a necessidade de se equilibrar o controle da inflação com a manutenção da atividade econômica. Os dados disponíveis antes da paralisação indicavam um crescimento econômico um pouco mais robusto do que o esperado, principalmente impulsionado pelos gastos dos consumidores.

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