O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano na reunião que ocorreu nesta quarta-feira, dia 5. Essa é a quarta vez consecutiva que a taxa é mantida nesse patamar, que foi alcançado em junho. Essa decisão demonstra um comportamento cauteloso do Banco Central, que não indicou cortes nos juros para o curto prazo.
O mercado esperava que o Banco Central fizesse algumas alterações nas expressões utilizadas em comunicados anteriores, o que poderia abrir espaço para uma política monetária mais flexível nas próximas reuniões. No entanto, as atualizações no comunicado foram discretas. O economista Leonardo Costa, do ASA, comentou que a linguagem usada não trouxe grandes mudanças, apenas uma leve redução na projeção da inflação, mantendo um tom firme e surpreendendo quem esperava uma abordagem mais gentil.
O Copom destacou a necessidade de manter a taxa de juros elevada por um período prolongado, afirmando que isso é fundamental para garantir que a inflação se aproxime da meta. A declaração reafirmou a urgência de uma política monetária rigorosa num ambiente onde as expectativas em relação à inflação não estão totalmente alinhadas.
Especialistas do mercado expressaram suas opiniões sobre a decisão. Bruno Shahini, da Nomad, observou que há sinais de queda da inflação e uma melhora gradual nas expectativas, além de um juro real elevado. Ele sugeriu que esses fatores permitiriam uma postura mais branda em relação à política monetária sem comprometer a credibilidade do Banco Central.
Marcelo Bolzan, da The Hill Capital, mencionou que a decisão do Copom foi unânime, mas o tom firme foi uma surpresa, já que havia expectativas de que o Banco Central sinalizasse uma possível mudança de estratégia. Camilo Cavalcanti, da Oby Capital, também notou que o comunicado sublinhou um cenário externo incerto e a moderação do crescimento econômico.
Uma informação nova em relação ao comunicado anterior é o reconhecimento de que a inflação está em queda, embora ainda se mantenha acima da meta estabelecida. Volnei Eyng, da Multiplike, ressaltou que a decisão do Copom indica um compromisso com o controle da inflação, que está próxima do teto da meta. Ele acrescentou que, embora a inflação esteja se aproximando desse limite, antecipar a redução da Selic poderia levar a consequências negativas no futuro.
Gustavo Assis, da Asset Bank, elogiou o tom cauteloso do Copom, afirmando que a manutenção da Selic traz estabilidade, facilita o planejamento e reforça a credibilidade do Brasil diante dos desafios econômicos.
Por outro lado, a elevada taxa Selic tem gerado preocupações no setor industrial. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) destacou que a manutenção da taxa em 15% pode prejudicar a produção e dificultar o financiamento para empresas em busca de capital de giro ou novos investimentos. Flávio Roscoe, presidente da entidade, expressou que a situação pode enfraquecer a indústria.
Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), chamou a decisão de “duro golpe” para a economia e a competitividade industrial. Ele apontou que a expectativa de inflação para os próximos 12 meses é de 4,06%, o que resulta em um juro real superior a 10%, afetando o investimento produtivo e penalizando especialmente as famílias de menor renda.
