BNDES destina R$ 250 mi para recuperação de áreas na Amazônia e Mata Atlântica

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, conhecido como BNDES, anunciou a aprovação de um financiamento no valor de R$ 250 milhões voltado para projetos de restauração ecológica e cultivo de árvores nativas em áreas da Amazônia e da Mata Atlântica. Esses recursos são provenientes do Fundo Clima, que está vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e é administrado pelo banco.

Esse projeto foi apresentado durante a Conferência do Clima COP30, que ocorreu em Belém. A iniciativa abrange a recuperação de até 19 mil hectares em seis estados brasileiros: Maranhão, Pará e Tocantins na Amazônia, e Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo na Mata Atlântica, especificamente no Vale do Paraíba. A empresa responsável pela execução do projeto é a re.green, que foi fundada por um grupo de cientistas, investidores e profissionais da área ambiental e foi premiada com o Earthshot 2025, uma iniciativa criada pelo príncipe William, do Reino Unido.

De acordo com as informações do BNDES, o financiamento representa 35,4% do investimento total do projeto e tem a expectativa de evitar a emissão de 1,27 milhão de toneladas de CO₂ equivalente por ano, a partir de 2030. Essa ação é parte do esforço do governo federal para transformar a região conhecida como “Arco do Desmatamento” em um “Arco da Restauração”. O objetivo é recuperar um total de 6 milhões de hectares de floresta até 2030, com investimentos projetados de US$ 10 bilhões.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou a importância do projeto ao afirmar que restaurar florestas é uma das maneiras mais eficazes e econômicas de combater as mudanças climáticas, ao mesmo tempo que gera empregos e renda. Ele enfatizou que é fundamental garantir o sustento econômico das populações locais para que elas se sintam motivadas a proteger as florestas.

A diretora socioambiental do banco, Tereza Campello, comentou que as iniciativas do Fundo Clima estão ajudando a desenvolver uma nova economia focada na restauração e bioeconomia no Brasil. Ela destacou que o BNDES está criando mecanismos financeiros para transformar a restauração de florestas nativas em uma oportunidade sustentável de investimento.

Esse projeto gerar também deve criar cerca de 2.850 empregos temporários durante sua implementação, além de 390 postos de trabalho permanentes após sua conclusão, prevista para 2028. A Fazenda Ipê, localizada em Paragominas, Pará, será a área central do projeto, onde os plantios começaram em 2024.

Thiago Picolo, CEO da re.green, afirmou que cada hectare restaurado representa um ativo importante a longo prazo nas áreas climática, ecológica e social.

Esse novo financiamento se soma a um investimento anterior de R$ 187 milhões, aprovado em janeiro de 2024, destinado à restauração de 15 mil hectares. Juntos, esses dois contratos representam um total de R$ 437 milhões do Fundo Clima, abrangendo um total de 34 mil hectares de florestas tropicais.

O Fundo Clima, que foi reformulado em 2023, agora direciona todos os recursos provenientes dos royalties do petróleo para projetos relacionados a florestas nativas e recursos hídricos, oferecendo empréstimos com juros de até 4,5% ao ano. Até o momento, o BNDES já aprovou R$ 1,9 bilhão em financiamentos para iniciativas voltadas à restauração ecológica, concessão de parques naturais e silvicultura de espécies nativas.

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