Taxa de desemprego atinge mínima; há espaço para melhoria?

A taxa de desemprego no Brasil registrou 5,6% no trimestre encerrado em setembro, mantendo-se na mínima histórica pela terceira vez consecutiva. Esse percentual foi divulgado nesta sexta-feira e representa uma leve alta em relação à expectativa de 5,5% das análises de mercado.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A tabela abaixo mostra a taxa de desocupação nos últimos trimestres:
– Julho, agosto e setembro de 2025: 5,6%
– Abril, maio e junho de 2025: 5,8%
– Julho, agosto e setembro de 2024: 6,4%
A estabilidade da taxa de desemprego, que se mantém na casa dos 5,6% ao longo dos meses, sugere que pode haver um limite para a continuidade da queda, segundo André Valério, economista sênior. Ele também alerta que o cenário de juros altos, atualmente em 15%, pode levar a um aumento na taxa de desemprego nos próximos meses, já que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados revelou uma desaceleração na criação de novas vagas.
É importante destacar que a PNAD, ao medir a taxa de desemprego, utiliza dados trimestrais, o que pode suavizar as flutuações em relação a outros indicadores mais imediatos do mercado de trabalho.
Apesar dos desafios, o mercado de trabalho no Brasil ainda é considerado robusto. Daniel Buarque, pesquisador do FGV/Ibre, ressalta que a desaceleração na geração de empregos está ocorrendo de forma mais lenta do que previsto. Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos Capital, observa que o emprego formal aumentou 2,7% no último ano, enquanto o emprego informal teve uma queda de 4%. Além disso, os rendimentos médios no mercado formal cresceram 2% e no informal 6,5%, ambos acima da taxa de inflação.
Os analistas também indicam que a diminuição da taxa de desemprego está relacionada a mudanças demográficas e ao aumento da qualificação da força de trabalho. A população trabalhadora hoje é mais velha e mais qualificada do que há algumas décadas, o que contribui para a manutenção de um nível baixo de desemprego.
Em relação à atividade econômica, Igor Cadilhac, economista do PicPay, sugere que o Banco Central deve continuar monitorando de perto a demanda, que ainda se mostra aquecida. A previsão é de uma taxa média de desemprego de 6% em 2025, com a expectativa de fechamento do ano em 5,5%.




