Tecnologia

Entenda o Som Hi-Res e sua Real Influência na Experiência Auditiva

O som Hi-Res, ou áudio de alta resolução, é frequentemente promovido por marcas de dispositivos de áudio como um padrão superior de qualidade sonora. Essa tecnologia pretende oferecer uma experiência auditiva mais rica, permitindo identificar diferentes instrumentos musicais e nuances sonoras que formatos mais antigos não conseguem reproduzir com a mesma eficácia. Mas a questão que se coloca é: será que essa diferença é realmente perceptível pelos consumidores?

O conceito de Hi-Res Audio refere-se ao padrão de áudio digital que atende alguns requisitos específicos estabelecidos pela Japan Audio Society (JAS). O critério mais significativo para a certificação Hi-Res é possuir uma profundidade de som superior a 24 bits/96 kHz, enquanto formatos mais antigos, como o MP3, geralmente oferecem uma resolução de 16 bits/44,1 kHz. Dentre os formatos de arquivos de áudio que são classificados como Hi-Res, encontram-se o FLAC, muito popular por sua característica de compressão sem perda; o ALAC, que é similar, mas voltado para dispositivos Apple; o WAV, conhecido por sua alta qualidade, mas com um tamanho maior de arquivo; e o DSD, frequentemente utilizado em estúdios de gravação devido à sua qualidade extremamente elevada.

Importante ainda é distinguir entre Hi-Fi e Hi-Res. Hi-Fi, ou alta fidelidade, é um termo mais geral que representa qualidade sonora superior, mas sem as exigências técnicas específicas do Hi-Res. Em síntese, todo áudio Hi-Res é considerado Hi-Fi, mas nem todo áudio Hi-Fi pode ser classificado como Hi-Res, pois não necessariamente atende aos parâmetros técnicos exigidos.

Em testes realizados pelo portal especializado Archimago’s Musings, que é focado em audiófilos, buscou-se verificar se as diferenças técnicas promovidas pelo Hi-Res eram percebidas pelos ouvintes. A pesquisa não apresentou resultados expressivos: de 121 participantes, 38 (31%) preferiram o áudio de 24 bits, o que foi um número inferior aos 40 (33%) que escolheram a opção de 16 bits. Além disso, 43 pessoas (36%) não demonstraram preferência entre os tipos de áudio, indicando que a diferença não é estatisticamente significativa.

A maioria dos participantes, 66%, atribuiu uma nota abaixo de 5 em uma escala de 0 a 10 para a distinção audível entre os formatos. Por outro lado, apenas 22 pessoas notaram uma diferença evidente, com 14 delas preferindo a versão de 16 bits. Também foi percebido que usuários de fones de ouvido não demonstraram forte preferência e aqueles que utilizavam alto-falantes abertos estavam igualmente divididos.

A pesquisa concluiu que, embora tecnicamente a profundidade de 24 bits ofereça uma faixa dinâmica mais ampla que a de 16 bits, na prática, isso não resulta em uma melhoria perceptível na experiência de escuta para a maioria das pessoas. Semelhante ao que ocorre com resoluções de vídeo em 4K e 8K, onde muitas pessoas não conseguem notar diferenças notáveis, especialmente se o equipamento utilizado não dá suporte para tal.

Apesar dos dados gerais, dois participantes do teste selecionaram a amostra de 24 bits com total certeza, comentando que a diferença era imensa em termos de espaço sonoro, reverberação e separação de tons. Mesmo que, no geral, as melhorias sejam mínimas, certas condições podem permitir que ouvidos mais treinados percebam essas sutis melhorias.

Além disso, os 24 bits proporcionam vantagens em estúdios, permitindo um trabalho de mixagem mais flexível, com mais espaço para modificações sem perder a qualidade sonora original. Um outro termo relacionado ao áudio de alta qualidade é o Lossless. Ele refere-se a formatos que comprimem o áudio sem descartar informações, como FLAC e ALAC, que funcionam quase como um “ZIP” para áudio, reduzindo o tamanho do arquivo sem perda de dados.

Sistemas de streamings de música, como o Spotify, começaram a adotar essa tecnologia. No entanto, assim como com Hi-Res, o áudio Lossless muitas vezes não traz tanta diferença perceptível para o ouvinte médio, pois MP3s bem codificados ou arquivos OGG de alta taxa também oferecem excelente qualidade. Ocorrendo diferença, esta costuma ser mínima e só perceptível em condições de audição muito controladas.

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