Economia

Comércio em setembro sofre com crédito caro e menos empregos

As vendas no comércio brasileiro caíram 0,3% em setembro em relação ao mês anterior. Esse resultado negativo abrange seis dos oito setores monitorados pela Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada pelo IBGE. Especialistas apontam que a queda reflete um cenário de crédito caro e diminuição na geração de empregos. Os analistas esperam que o varejo mantenha uma estabilidade nos próximos meses.

Essa queda ficou abaixo das expectativas de mercado, que projetavam um crescimento de 0,3%. É a quinta vez nos últimos seis meses que o setor apresenta resultados negativos. No terceiro trimestre de 2025, o comércio registrou uma queda de 0,4%, e no acumulado do ano, a redução foi de 1,5%. Esse desempenho é bem menor do que o crescimento de 4,2% observado no mesmo período do ano passado.

Os economistas observam que a leve queda no consumo de bens no terceiro trimestre de 2025 está ligada a condições de crédito ainda restritivas e ao arrefecimento do mercado de trabalho. Embora a renda real esteja em expansão, as famílias enfrentam um maior comprometimento da renda com dívidas, o que impacta a disposição para comprar produtos de maior valor. Os dados apontam uma média móvel trimestral negativa de 0,1%, reforçando essa situação.

Seis das oito atividades pesquisadas mostraram queda nas vendas. As perdas mais significativas ocorreram em setores como livros e papelaria, com uma retração de 1,6%, seguidos por tecidos, vestuário e calçados, que caíram 1,2%. O setor de combustíveis teve uma redução de 0,9%, assim como a área de informática e comunicação. Também houve recuo nas vendas de móveis e eletrodomésticos em 0,5%, e nos supermercados, 0,2%.

Por outro lado, o segmento de artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria apresentou um aumento de 1,3%, impulsionado por uma maior demanda por medicamentos. Outros artigos de uso pessoal e doméstico também tiveram um leve crescimento de 0,5%. Esses resultados indicam uma resiliência em itens essenciais de consumo.

Além das quedas setoriais, o desempenho nas diferentes regiões do Brasil foi heterogêneo. Tivemos 15 dos 27 estados apresentando queda no varejo restrito, enquanto 12 estados enfrentaram redução no varejo ampliado. Os estados de São Paulo e partes do Sul tiveram resultados especialmente negativos, indicando que a fraqueza nas vendas não é algo específico de uma localidade. Enquanto isso, as regiões Norte e Nordeste mostraram resultados mais variados, mas sem alterar a avaliação geral do desempenho do comércio.

Economistas observam que os setores mais dependentes de crédito, como veículos e materiais de construção, continuam pressionados pelas altas taxas de juros. Por outro lado, setores que dependem mais diretamente da renda, como supermercados e produtos farmacêuticos, mostram maior resiliência, mostrando uma dinâmica contrastante no setor comércio.

Em termos de projeções futuras, analistas acreditam que, apesar das dificuldades atuais, fatores como a recuperação do mercado de trabalho, festanças de fim de ano e transferências do governo podem trazer um pouco mais de alívio ao varejo até o final de 2025. Para o ano de 2026, o setor deve seguir influenciado por um ambiente econômico desafiador, embora uma possível aprovação da reforma do Imposto de Renda possa favorecer o aumento da renda disponível das famílias e resultar em um consumo mais vigoroso.

Os próximos meses estão projetados para vendas moderadas, com a expectativa de que segmentos essenciais, especialmente farmacêuticos, continuem a sustentar o comércio. No entanto, as vendas de combustíveis e produtos duráveis devem continuar fracas. Segundo as análises, mesmo que o setor contribua positivamente para a atividade econômica, isso deverá acontecer de forma mais contida.

Analisando o desempenho do varejo e de outros setores como indústria e serviços, a previsão é que o PIB brasileiro tenha recuado 0,1% no terceiro trimestre e finalize 2025 com um crescimento de 2% em comparação ao ano anterior. As estimativas variam entre 0,2% a 2,2% para o crescimento do PIB em 2025, e enquanto algumas instituições financeiras preveem um crescimento moderado, outras indicam projeções mais otimistas.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

13 + dezesseis =

Botão Voltar ao topo