Minhas finanças

A transformação dos pagamentos no Brasil

O Pix, sistema de pagamento instantâneo brasileiro, completa cinco anos e se consolidou como o principal meio de pagamento no país. Com mais de 60 bilhões de transações anuais, essa modalidade revolucionou a maneira como os brasileiros realizam pagamentos, atraindo também o interesse global de especialistas e autoridades financeiras.

Em um artigo de julho, o Prêmio Nobel Paul Krugman elogiou o sucesso do Pix, questionando se os Estados Unidos seguiriam o mesmo caminho, dado que o sistema americano parece estar atrelado a interesses mais tradicionais e criptografias.

Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump mencionou o Pix em uma disputa comercial com o Brasil, alegando que o sistema poderia prejudicar a competitividade das empresas americanas, especialmente as que operam com cartões de crédito. As bandeiras Visa e Mastercard, por exemplo, têm enfrentado desafios com a ascensão do Pix e, para se manter relevantes, têm promovido benefícios e parcerias que favorecem o uso dos cartões em situações de maior valor.

O Banco Central brasileiro afirma que o Pix não substitui o uso de cartões, mas sim incentiva a diminuição do uso de dinheiro em espécie. Os dados mostram que, desde 2019, o uso de cartões de débito e crédito tem crescido, mas a velocidade desse crescimento é menor se comparada ao crescimento explosivo do Pix, que aumentou em mais de 3.600% em transações desde 2020.

Novas modalidades do Pix, como o Pix Automático e o Pix Parcelado, foram introduzidas recentemente. O primeiro permite que empresas automatizem pagamentos de assinaturas, como de serviços de streaming, enquanto o segundo possibilita o parcelamento de compras sem precisar do cartão de crédito, oferecendo uma alternativa com custos mais baixos para os comerciantes.

Atualmente, existem mais de 901 milhões de chaves Pix, alcançando 178 milhões de usuários no Brasil, o que representa 83,4% da população. Em 2023, as transações ultrapassaram 63,4 bilhões, com o Pix representando mais de 50% de todos os pagamentos realizados no país. Apenas no primeiro semestre de 2025, já foram feitas 36,9 bilhões de transações, um aumento de 23,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O volume financeiro movimentado pelo Pix também cresceu de forma significativa. Em 2024, o sistema movimentou R$ 26,4 trilhões, um aumento notável desde seu lançamento em 2020, quando movimentou apenas R$ 149,9 bilhões. No primeiro semestre de 2025, esse valor já alcançou R$ 15,8 trilhões, um acréscimo de 35% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar desse crescimento, modalidades como TED e boletos ainda persistem em certas transações, principalmente em B2B (business to business) e em pagamentos de alto valor. As TEDs ainda dominam as transações de alto valor, totalizando R$ 43,1 trilhões em 2024, em comparação aos R$ 26,4 trilhões do Pix. O número de transações via TED, no entanto, vem diminuindo, assim como as transações de DOC e TEC, que foram descontinuadas no primeiro trimestre de 2024 por conta da crescente preferência pelo Pix.

Desafios ainda estão à frente para o Pix, com a introdução de novas funcionalidades, como o Pix Parcelado, que espera regulamentação, e o Pix em Garantia, que permitirá que os recebíveis sejam usados como garantia em financiamentos. A interoperabilidade entre sistemas de pagamento de diferentes países deve ser a próxima grande evolução. O Banco Central tem intensificado a regulamentação do sistema, visando acompanhar a expansão do setor e a inovação, sem deixar de lado ambientes que permitam testes e inovações, fundamentais para o crescimento do sistema.

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