Governo confirma diálogo da China com setor automotivo sobre chips

O governo da China anunciou que iniciará conversas com o setor automotivo do Brasil para evitar a falta de chips, componentes essenciais na produção de veículos, especialmente os modelos flex. A decisão foi comunicada pelo embaixador chinês no Brasil, Zhu Quingqiao, ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Durante o encontro, Alckmin solicitou prioridade no fornecimento desses chips para as montadoras brasileiras.
Na última terça-feira, Alckmin participou de uma reunião com representantes de entidades do setor automotivo, como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Associação Brasileira da Indústria de Autopeças (Abipeças) e o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Essas organizações manifestaram a necessidade de apoio do governo brasileiro para facilitar o diálogo com a China, evitando impactos negativos na produção de veículos no país.
O vice-presidente destacou a importância da cadeia automotiva, que gera cerca de 1,3 milhão de empregos e influencia diretamente setores como siderurgia, químico, plástico e borracha. Ele ressaltou que, embora ainda haja incertezas sobre a implementação das negociações, o diálogo é um passo positivo para garantir o crescimento da indústria automotiva.
O setor automotivo brasileiro se sentiu ameaçado após a China restringir as exportações de minerais raros e semicondutores, em resposta a ações protecionistas dos Estados Unidos e da Europa no setor tecnológico. Essa situação foi agravada pela intervenção da Holanda em uma empresa chinesa que representa uma parte significativa do mercado global de chips automotivos, levando o governo chinês a impor novas restrições.
Recentemente, a China considerou criar exceções nas restrições, reconhecendo as dificuldades enfrentadas por empresas que dependem desses componentes. A associação Anfavea expressou satisfação com a abertura de diálogo com a China, que concordou em avaliar a possibilidade de autorizar a exportação de semicondutores para empresas brasileiras com dificuldades.
Essa medida pode trazer alívio para o setor automotivo, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de chips da Nexperia, cuja falta poderia comprometer a produção de autopeças no Brasil e ameaçar a operação da indústria automotiva como um todo.




