Tomie Ohtake: A Artista que Uniu Culturas
Tomie Ohtake (1913-2015) foi uma renomada pintora, gravadora e escultora japonesa naturalizada brasileira, reconhecida como uma das principais representantes do abstracionismo informal.
Início da Vida e Carreira
Nascida como Tomie Nakakubo em Kioto, Japão, em 21 de novembro de 1913, Tomie desde cedo demonstrou interesse pela pintura. Sua jornada no Brasil começou em 1936, quando visitou seu irmão em São Paulo. Logo após sua chegada, casou-se com um engenheiro agrônomo japonês, adotando o sobrenome de seu marido e criando uma família.
Transição para a Arte
Aos 40 anos, incentivada pelo artista contemporâneo Keiya Sugano, Tomie decidiu perseguir sua paixão pela pintura. Começou em 1952 com obras figurativas, mas logo se aventurou pelo abstracionismo, desenvolvendo um estilo próprio que se destaca como abstração informal.
Reconhecimento e Contribuições
Nos anos 70, Tomie começou a explorar novas técnicas, como serigrafia, litogravura e gravura em metal. Já na década de 80, suas obras começaram a incorporar cores mais intensas e contrastantes, o que lhe rendeu o respeito de críticos e estudiosos. Suas criações tornaram-se parte da paisagem cultural brasileira.

Entre suas contribuições notáveis, destacam-se os painéis do metrô de São Paulo e o Monumento à Imigração Japonesa, uma escultura em forma de ondas localizada na Avenida 23 de Maio, inaugurada em 1988.

Em 2008, uma escultura foi instalada no Aeroporto de Cumbica em homenagem ao centenário da imigração japonesa ao Brasil. Suas esculturas também ganharam destaque nos jardins do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio entre 2009 e 2010.
Legado e Homenagens
Tomie Ohtake participou de diversas exposições nacionais e internacionais, incluindo mais de 20 bienais, e recebeu prêmios significativos, como o Prêmio Nacional de Artes Plásticas em 1995 e o Prêmio Panorama da Pintura Brasileira pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Em 2000, foi fundado o Instituto Tomie Ohtake em São Paulo, idealizado por seus filhos, Ruy e Ricardo, ambos arquitetos. Durante a celebração de seus 97 anos, o instituto realizou uma exposição com 25 de suas grandes obras.
Na comemoração de seu centenário em 2013, 17 exposições foram organizadas por todo o Brasil. Em 2014, a cineasta Tizuka Yamasaki lançou um documentário que explorou o universo de Tomie Ohtake, que se tornou uma ponte entre a herança japonesa e a arte contemporânea brasileira.
Tomie Ohtake faleceu em São Paulo no dia 12 de fevereiro de 2015, deixando um legado indelével nas artes brasileiras.