Biografia de Lélia Gonzalez
Lélia Gonzalez (1935-1994) foi uma importante intelectual e ativista negra brasileira, reconhecida como a primeira mulher negra a se dedicar aos estudos de raça e gênero no Brasil. Sua pesquisa e militância tornaram-se fundamentais para refletir sobre o papel da mulher negra na sociedade, assim como para o próprio movimento negro, sempre oferecendo uma perspectiva popular e humana.
Infância e Formação
Nascida em Belo Horizonte (MG) em 1 de fevereiro de 1935, Lélia veio de uma família humilde. Filha de um pai negro e ferroviário e de uma mãe indígena e empregada doméstica, cresceu em um lar com 17 irmãos, incluindo o futebolista Jaime de Almeida. Em 1942, mudou-se para o Rio de Janeiro com sua família, após a morte prematura do pai.
Após concluir os estudos básicos em 1954 no Colégio Pedro II, Lélia trabalhou como empregada doméstica e babá, experiências que moldaram sua visão sobre as desigualdades sociais. Com esforço, completou sua formação acadêmica em História e Filosofia pela Universidade do Estado da Guanabara (hoje UERJ) e lecionou em escolas públicas.
Atuação Acadêmica e Política
Além de ser professora na PUC-RJ, Lélia também lecionou no ensino médio, contribuindo para a formação de um pensamento crítico voltado para a luta social. Na década de 1970, começou a ministrar aulas de Cultura Negra na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e envolveu-se em coletivos como o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN) e o Movimento Negro Unificado (MNU), que co-fundou em 1978.
Lélia foi uma voz ativa na política partidária e integrou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) nos anos 80, além de escrever artigos para diversos jornais e revistas.
Legado e Influência
Faleceu em 11 de julho de 1994, aos 59 anos, mas deixou um legado essencial na construção filosófica e prática de movimentos antirracistas e feministas. Sua retórica acessível e argumentos sólidos ajudaram a difundir suas ideias de maneira eficaz.
Embora tenha se inspirado em movimentos negros dos EUA, Lélia estava atenta às especificidades da América Latina, criando o termo “amefricanidade” para abordar a questão racial na região.
Reconhecimento Internacional
A importância de Lélia Gonzalez é reconhecida mundialmente, como evidencia a declaração da ativista Angela Davis, que afirmou ter aprendido mais com Lélia do que com qualquer outra referência.
Publicações
- Festas populares no Brasil (1987)
- Lugar de negro (com Carlos Hasenbalg) (1982)
- Por um Feminismo afro-latino-americano (2020, livro póstumo)
Citações Inspiradoras
“A gente não nasce negro, a gente se torna negro…”
“Os companheiros de movimento reproduzem as práticas sexistas do patriarcado dominante…”
“Ao reivindicar nossa diferença enquanto mulheres negras, sabemos bem o quanto trazemos em nós as marcas da exploração econômica…”