Ziraldo: Um Ícone do Humor Brasileiro
Ziraldo (1932-2024) foi um renomado cartunista, desenhista, jornalista, cronista, chargista, pintor e dramaturgo brasileiro. Ele é amplamente conhecido por ter criado o icônico personagem infantil “O Menino Maluquinho” e por ser um dos fundadores da revista humorística “O Pasquim”.
Infância e Juventude
Ziraldo Alves Pinto nasceu em Caratinga, Minas Gerais, no dia 24 de outubro de 1932. Seu nome é uma combinação dos nomes de seus pais, Zizinha e Geraldo. Desde a infância, Ziraldo demonstrou um talento excepcional para o desenho, tendo sua primeira ilustração publicada no jornal Folha de Minas aos seis anos de idade.
Ele estudou no Grupo Escolar Princesa Isabel e, em 1949, mudou-se para o Rio de Janeiro com sua avó, onde frequentou o MABE (Moderna Associação de Ensino) por dois anos. Em 1950, voltou a Caratinga e concluiu o científico no Colégio Nossa Senhora das Graças.
Carreira
A carreira de Ziraldo iniciou-se na revista “Era Uma Vez”, onde colaborou mensalmente. Em 1954, começou a trabalhar no jornal “Folha da Manhã” (atual Folha de S. Paulo), contribuindo com desenhos humorísticos. Em 1957, Ziraldo ingressou na revista O Cruzeiro, uma publicação de prestígio na época, e formou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais.
Em 1958, casou-se com Vilma Gontijo, com quem teve três filhos: Daniela, Antônio e Fabrízia. Em outubro de 1960, Ziraldo lançou a primeira revista brasileira de quadrinhos colorida e de um só autor, intitulada “Pererê”, que trazia histórias ambientadas na floresta fictícia “Mata do Fundão”. A publicação durou até abril de 1964, quando foi suspensa pelo regime militar. Em 1975, a revista foi relançada como “A Turma do Pererê”, mas só durou um ano.

Em 1963, Ziraldo ingressou no Jornal do Brasil e, durante a ditadura militar, criou personagens como “Supermãe”, “Mineirinho” e “Jeremias, o Bom”, que criticavam os costumes da época.

Em 22 de junho de 1969, Ziraldo foi um dos fundadores do semanário “O Pasquim”, um tabloide de humor que se opôs ao regime militar e renovou a linguagem jornalística. O jornal foi alvo de repressão, mas circulou até 1991.
O primeiro livro infantil de Ziraldo, “Flicts”, lançado em 1969, conta a história de uma cor em busca de seu lugar no mundo, utilizando uma paleta vibrante e poucas palavras. Nesse mesmo ano, ele recebeu o Prêmio Nobel Internacional do Humor no Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas.
Seu trabalho mais famoso, “O Menino Maluquinho”, foi lançado em 1980 e rapidamente se tornou um fenômeno editorial no Brasil. O personagem, uma criança cheia de imaginação que usa uma panela na cabeça, inspirou adaptações para teatro, televisão, videogames e cinema.

As obras de Ziraldo foram traduzidas para diversos idiomas e publicadas em revistas internacionais, como “Private Eye” e “Mad”. Em 2004, ele recebeu o Prêmio Internacional Hans Christian Andersen pelo livro “Flicts” e, em 2008, o VI Prêmio Ibero Americano de Humor Gráfico Quevedos. Em 2009, lançou “Ziraldo em Cartaz”, uma coleção de 300 ilustrações para peças teatrais. Em 2016, foi agraciado com a Medalha de Honra da Universidade Federal de Minas Gerais.
Ziraldo faleceu em 6 de abril de 2024, aos 91 anos, em sua residência no Rio de Janeiro.
Principais Obras
- Flicts (1969)
- Jeremias, o Bom (1969)
- O Planeta Lilás (1979)
- O Menino Maluquinho (1980)
- A Bela Borboleta (1980)
- O Bichinho da Maçã (1982)
- O Joelho Juvenil (1983)
- Os Dez Amigos (1983)
- O Menino Mais Bonito (1983)
- O Pequeno Planeta Perdido (1985)
- O Menino Marrom (1986)
- O Bicho Que Queria Crescer (1991)
- Este Mundo é Uma Bola (1991)
- Um Amor de Família (1991)
- Cada Um Mora Onde Pode (1991)
- Vovó Delícia (1997)
- A Fazenda Maluca (2001)
- A Menina Nina (2002)
- As Cores e os Dias da Semana (2002)
- Os Meninos Morenos (2004)
- O Menino da Lua (2006)
- Uma Menina Chamada Julieta (2009)
- O Menino da Terra (2010)
- Diário de Julieta (2012)