Rubem Valentim: Um Mestre do Concretismo Brasileiro
Rubem Valentim (1922-1991) foi um renomado artista plástico e professor brasileiro, amplamente reconhecido como um dos principais nomes do concretismo no Brasil.
Início da Carreira
Nascido em Salvador, Bahia, no dia 9 de novembro de 1922, Rubem Valentim começou sua jornada artística na década de 40. Entre 1946 e 1947, ele se juntou ao Movimento de Renovação das Artes Plásticas na Bahia, ao lado de artistas como Mario Cravo Júnior e Carlos Bastos.
Transição para a Abstração
No início de sua carreira, Valentim produziu obras figurativas, incluindo naturezas-mortas, paisagens urbanas, flores e figuras humanas, influenciado pelo realismo e expressionismo. Formou-se em jornalismo pela Universidade da Bahia em 1953, onde também começou a publicar artigos sobre arte. A partir de então, ele começou a incorporar símbolos geométricos das religiões afro-brasileiras, como a umbanda e o candomblé, em suas obras abstratas, especialmente a partir de 1955.

Mudança para o Rio de Janeiro
Em 1957, Valentim mudou-se para o Rio de Janeiro, onde atuou como assistente do professor Carlos Cavalcanti no curso de História da Arte do Instituto de Belas Artes. Durante esse período, abandonou a figuração e se aprofundou na iconografia das religiões afro-brasileiras, resultando em uma pintura com formas rigorosamente geométricas. Sua participação no Salão Nacional de Arte Moderna rendeu-lhe o Prêmio Viagem ao Exterior, permitindo que residisse em Roma entre 1963 e 1966.
Reconhecimento e Obras Públicas
Após retornar ao Brasil, Rubem Valentim estabeleceu-se em Brasília, onde lecionou pintura no Ateliê Livre do Instituto de Artes da Universidade de Brasília até 1968. Na segunda metade da década de 60, começou a criar murais, relevos e esculturas monumentais em madeira. Em 1972, ele realizou sua primeira obra pública, um mural de mármore para o edifício sede da NOVACAP em Brasília.

Legado e Últimos Anos
Na XVI Bienal Internacional de São Paulo, em 1977, Valentim apresentou a obra “Templo de Oxalá”, que incluía painéis e esculturas em madeira branca. Em 1979, ele criou uma escultura em concreto aparente na Praça da Sé, em São Paulo, que nomeou de “Marco Sincrético da Cultura Afro-brasileira.” Apesar de sua obra ser frequentemente associada ao construtivismo, Valentim rejeitou rótulos europeus, enfatizando a singularidade de sua produção artística.
Rubem Valentim faleceu em São Paulo, no dia 30 de novembro de 1991, deixando um legado duradouro na arte brasileira e na valorização da cultura afro-brasileira.