David Livingstone: Missionário e Explorador Escocês
David Livingstone (1813-1873) foi um missionário e explorador escocês que desempenhou um papel crucial na introdução do cristianismo moderno na África e na integração do continente africano ao restante do mundo.
Início da Vida
David Livingstone nasceu em Blantyre, Escócia, no dia 19 de março de 1813. Filho de um modesto comerciante de chá, começou a trabalhar aos dez anos, dividindo seu tempo entre a máquina de enrolar fios e uma gramática de latim, que escondia de seu contramestre. À noite, frequentava a escola.
Fascinado pelas histórias do médico e missionário Gutzlaff, que se aventurou na China, Livingstone decidiu estudar medicina em Glasgow em 1836. Ele escreveu uma carta à Sociedade Missionária de Londres, explicando seus objetivos e oferecendo seus serviços. A resposta foi rápida e, em setembro de 1838, ele foi convidado a Londres para um curso sobre atividades missionárias.
Missão na África
Em 1840, a Guerra do Ópio impediu sua partida para a China. Em novembro do mesmo ano, Livingstone recebeu seu diploma de médico e foi ordenado missionário. Após ouvir o relato do explorador Robert Moffat, foi designado para prestar serviços na África. A bordo do navio George, chegou à Cidade do Cabo, onde permaneceu por um mês.
Em 1841, aos 28 anos, Livingstone chegou a Kuruman, na Bachuanaland (atual Botsuana), onde deveria partir em direção a terras desconhecidas. Seus trabalhos incluíam a instalação de postos médicos, exploração científica, mapeamento da fauna e flora, além de criar centros de pregação religiosa.
Para facilitar a comunicação, Livingstone aprendeu o idioma local e rapidamente se fez entender.
Expedições Exploradoras
Durante sua estadia em Lopeole, Livingstone viveu com o povo dos Crocodilos e descobriu um leito seco de um rio, onde, ao cavar mais fundo, encontrou água. No vilarejo de Mabotsa, foi atacado por um leão, resultando em uma fratura que prejudicou permanentemente seu movimento.
Em 1844, conheceu Mary, filha de Moffat. Eles se casaram em 1845 e se estabeleceram em Mabotsa. Mary, que conhecia bem os problemas locais, atuou como enfermeira, cozinheira e professora na pequena escola. Eles se mudaram para Tchonuane, onde nasceu seu primeiro filho.
Mais tarde, viajando para Koloben, em 1849, Livingstone e sua comitiva adentraram o deserto, avistando o lago Ngami. Ao retornar, encontrou sua esposa e filhos doentes e decidiu voltar à África do Sul. Em 1852, a família foi levada para a Inglaterra, mas Livingstone permaneceu na África, decidido a abrir caminho em direção ao oceano e encontrar locais para instalar missões.
Ao chegar a Kolobem, encontrou o posto destruído por bôeres. Atravessando o deserto de Kalahari, chegou ao rio Zambeze, onde descobriu a magnífica Catarata Vitória em 1855. Em seguida, atravessou a África meridional de um extremo a outro.
Reconhecimento e Últimos Anos
Em 1856, Livingstone retornou à Inglaterra, sendo homenageado pela Rainha Vitória e nomeado cônsul britânico na costa oriental da África, em Moçambique. Nesse ano, publicou o livro que o tornaria famoso, Viagens Missionárias e Pesquisas na África do Sul.
Ele voltou à África em 1858, liderando uma expedição patrocinada pelo governo, enfrentando obstáculos na navegação do Zambeze, mas descobrindo o lago Niassa e uma rota para o interior. Em 1862, a morte de Mary na Cidade do Cabo fez com que Livingstone se entregasse ao trabalho.
Em 1866, liderou uma expedição para descobrir as nascentes dos rios Nilo, Congo e Zambeze. Em 1867, o conflito entre a Inglaterra e a república dos bôeres começou com a descoberta de diamantes no território de Orange. Livingstone continuou suas expedições, descobrindo os lagos Muero e Bangueolo.
Em 1869, chegou a Ujiji e, em 1871, encontrou Stanley, um jornalista que investigava se Livingstone ainda estava vivo. Juntos, exploraram o extremo norte do lago Tanganica, mas Livingstone preferiu continuar sua busca pela nascente do Nilo.
Em 1872, iniciou outra expedição, mas perdeu-se na região do lago Bangueolo durante a estação das chuvas. Com muita dificuldade, atingiu Ilala, já com sua saúde debilitada por doenças tropicais.
David Livingstone faleceu no pequeno povoado de Old Chitambo, atual Zâmbia, no dia 1 de maio de 1873. Seu corpo foi embalsamado e, em 1874, recebeu grandes honras ao ser sepultado na Abadia de Westminster, em Londres.