Quem é Lygia Bojunga?
Lygia Bojunga, nascida em 26 de agosto de 1932 em Pelotas, Rio Grande do Sul, é uma renomada escritora brasileira de literatura infanto-juvenil. Reconhecida como a primeira autora fora do eixo Estados Unidos – Europa a receber o prestigiado Prêmio Hans Christian Andersen, Lygia conquistou um lugar especial no coração de jovens leitores e críticos.
Início da Vida e Carreira
Aos oito anos, Lygia mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Em 1951, ingressou na Companhia de Teatro “Os Artistas Unidos”, onde começou a atuar em cidades do interior. Durante esse período, também se destacou como atriz de rádio e participou de diversos programas de televisão.
Em busca de um estilo de vida mais próximo da natureza, Lygia se afastou dos palcos e atividades na televisão, dedicando-se a escrever para rádio e televisão por uma década. Juntamente com seu marido, fundou a “Toca”, uma escola rural para crianças carentes, que funcionou por cinco anos.
O Primeiro Livro
Seu primeiro sucesso literário veio em 1971, quando ganhou o prêmio do Concurso de Literatura Infantil do Instituto Nacional do Livro com “Os Colegas”, publicado em 1972. Esta obra é uma fábula que narra as aventuras de cinco animais: os cachorros Virinha, Latinha e Flor-de Lis, o coelho Cara de Pau e o urso Voz de Cristal.
Reconhecimento Internacional
Lygia Bojunga rapidamente conquistou o público e, a seguir, lançou obras marcantes como “Angélica” (1975), “A Bolsa Amarela” (1976), “A Casa da Madrinha” (1978), “Corda Bamba” (1979) e “O Sofá Estampado” (1980). Em 1982, foi homenageada com o Prêmio Hans Christian Andersen, concedido pela International Board on Books for Young People, filiada à UNESCO. Este prêmio é considerado o “Prêmio Nobel” da literatura infantil, e Lygia se destacou como a primeira mulher a recebê-lo fora do eixo Estados Unidos – Europa.
Principais Obras
A Casa da Madrinha
A obra “A Casa da Madrinha” narra as desventuras de Alexandre, um menino que vende coisas nas ruas do Rio de Janeiro e busca um lugar onde todos os seus problemas possam ser resolvidos. Durante sua jornada, ele encontra personagens como o Pavão, a menina Vera e o Cavalo Ah.
Corda Bamba
Em “Corda Bamba”, Maria, uma menina filha de equilibristas, perde os pais e vai morar com a avó rica. Através de uma corda esticada entre janelas, Maria embarca em uma jornada de autoconhecimento.
A Bolsa Amarela
“A Bolsa Amarela” é uma das obras mais célebres de Lygia. A história gira em torno de Raquel, que guarda em sua bolsa amarela três vontades: não crescer, ser menino e tornar-se escritora, além de amigos secretos como um galo chamado Afonso.
Vida na Inglaterra e Conquistas Recentes
Em 1982, Lygia se casou com Peter, um inglês, e se mudou para a Inglaterra, embora retornasse frequentemente ao Brasil. Em 1988, voltou aos palcos e, em 1996, lançou “Feito à Mão”, uma obra composta manualmente com papel reciclado. Em 2002, publicou “Retratos de Carolina”, seu primeiro livro pela própria editora, a Casa Lygia Bojunga.
Reconhecida por sua vasta contribuição à literatura infanto-juvenil, em 2004, Lygia recebeu o prêmio Astrid Lindgren da Suécia, sendo a primeira escritora infanto-juvenil a ser laureada. Em 2006, ela fundou a Fundação Cultural Lygia Bojunga, dedicada a promover o livro no Brasil.
Outras Obras
Seu trabalho já foi traduzido em diversos países, recebendo aclamação da crítica europeia. Entre suas publicações estão:
- Tchau (1984)
- Nós Três (1987)
- Paisagem (1992)
- Seis Vezes Lucas (1994)
- O Abraço (1995)
- A Cama (1999)
- O Rio e Eu (1999)
- Retratos de Carolina (2002)
- Aula de Inglês (2006)
- Sapato de Salto (2006)
- Querida (2009)