Cresce o Consumo Multitela no Brasil: Integração entre TV e E-commerce Avança

Muitos brasileiros estão cada vez mais sintonizados em múltiplas telas ao mesmo tempo, dividindo a atenção entre a TV e o celular enquanto relaxam no sofá de casa. Esse comportamento multitela não só alterou a forma como as grandes marcas criam seus conteúdos, mas também trouxe uma nova percepção sobre a utilização da televisão. No horizonte da tecnologia, a TV 3.0 promete intensificar ainda mais essa conexão entre as telas, criando uma ponte mais direta entre o entretenimento televisivo e o comércio eletrônico.
Uma pesquisa recente, conduzida pela empresa Ipsos para o Mercado Ads, destacou que 64% dos brasileiros costumam utilizar o celular enquanto assistem televisão ou serviços de streaming. Destes, 55% afirmaram que estavam realmente buscando ou efetuando a compra de algum produto durante essa interação. O levantamento foi realizado em abril deste ano, abrangendo mil participantes de diferentes perfis sociais, econômicos e regiões do país.
João Oliver, professor da ESPM, especialista em Comportamento do Consumidor e gerente de Pesquisa de Mídia na DM9, ressaltou que essa atividade multitela está intimamente ligada à cultura digital do brasileiro de estar constantemente conectado. Essa interação entre o digital e os programas de TV ou streaming resultam em um rico campo de reações em tempo real a novelas, reality shows e uma variedade de outros programas, evidenciando a vitalidade do conteúdo discutido nas redes sociais.
A pandemia de COVID-19 desempenhou um papel crucial nesse fenômeno, conforme explica o especialista. Durante este período, observamos um aumento significativo no uso de Smart TVs e na preferência por assistir conteúdos em plataformas de streaming, incluindo o YouTube em grandes telas. Essa evolução destaca a transformação da televisão em um dispositivo intermediário, fundindo funcionalidades que eram, até então, exclusivas dos smartphones.
Oliver aponta que a televisão está se reinventando para se tornar um dispositivo multimídia, semelhante aos celulares modernos, oferecendo aplicativos e centros de conteúdo integrados. Embora os programas ao vivo continuem a seguir um formato linear, há uma crescente tendência para interações personalizadas e conteúdo sob demanda, permitindo que os consumidores escolham o que desejam assistir, quando e onde preferirem, com uma pluralidade de escolhas.
A sinergia entre televisão e smartphones abre caminhos inovadores para estratégias de marketing e vendas, onde ferramentas como QR Codes podem transformar a TV em um canal ativo de conversão de vendas. Esse avanço torna a tela não apenas um meio de entretenimento e informação, mas também um potencial ponto de venda.
Com a iminência da TV 3.0, se espera uma era de maior interatividade e personalização na TV aberta, trazendo anúncios que podem ser mais direcionados de acordo com o perfil do espectador e a possibilidade de realizar compras diretamente através do televisor. Essa inovação promete reforçar a ligação entre marcas, emissoras e o público, sem que se perca a audiência.
O professor Oliver observa que esses avanços oferecem maior autonomia ao espectador, que poderá escolher quando e como consome determinado conteúdo ou produto. A aceitação do público para anúncios atrelados ao conteúdo depende de uma abordagem menos invasiva, como branded content, que conta histórias envolventes, ao invés de interromper o conteúdo que está sendo assistido.
A competição no mercado, segundo Oliver, está se intensificando pela atenção do consumidor. Considerando que a troca de tela é uma decisão fácil e rápida para o usuário moderno, a atenção tornou-se o ativo mais disputado. O consumidor agora tem a liberdade e o poder de mudança, decidindo entre conteúdo televisivo e o que o celular oferece a qualquer momento.




