Hapvida registra fraco 3T e JPMorgan rebaixa ações em 32%

Os resultados financeiros da operadora de saúde Hapvida, divulgados no último dia 12, decepcionaram o mercado e impactaram suas ações. No terceiro trimestre deste ano, a empresa reportou um lucro líquido de aproximadamente R$ 338 milhões. Mesmo assim, o desempenho não foi suficiente para atender às expectativas dos investidores.
Na manhã seguinte à divulgação dos resultados, as ações da Hapvida abriram com uma queda de 32,43%, precificadas a R$ 22,09, após um período de leilão na bolsa. Esse cenário negativo levou as ações a permanecerem em leilão novamente em seguida.
Um dos pontos destacados nos resultados foi o aumento da dívida líquida, que atingiu R$ 4,25 bilhões. Esse valor representa um crescimento de 3,7% em comparação ao ano passado. A alavancagem, medida pela relação entre essa dívida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), ficou em 1 vez, um pequeno aumento em relação ao trimestre anterior.
No terceiro trimestre, a sinistralidade caixa alcançou 75,2%, um aumento de 1,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. Esse indicador reflete o aumento na utilização de serviços de saúde, influenciado pela sazonalidade e pela abertura de novas unidades.
O Ebitda ajustado recorrente foi de R$ 613 milhões, uma queda de 20% em relação ao trimestre anterior e 27% abaixo do que era esperado pelos analistas. A margem desse indicador também decepcionou, caindo para 7,9%, em vez dos 10,7% que eram projetados. Essa degradação da margem foi atribuída a uma combinação de fatores, como custos fixos mais elevados, especialmente após a inauguração de novas unidades, e uma maior frequência de atendimentos.
Além disso, o fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 234 milhões, resultado do aumento da dívida líquida. A base de beneficiários na região metropolitana de São Paulo também apresentou resultados negativos, com uma redução de 24 mil beneficiários, embora o resultado total ainda tenha mostrado um aumento de 13 mil.
As instituições financeiras estão avaliando a situação da empresa com cautela. O BTG Pactual observou a fragilidade dos resultados e a combinação de dificuldades, como o aumento da sinistralidade e despesas administrativas mais altas. Esses fatores resultaram em uma queda significativa no Ebitda ajustado.
A receita líquida da Hapvida teve uma leve alta de 6%, totalizando R$ 7,78 bilhões, mas ainda ficou 1% abaixo do esperado. Apesar disso, a exclusão de efeitos contábeis no cálculo do Ebitda ajustado trouxe um impacto positivo.
No que diz respeito ao resultado financeiro, a Hapvida teve uma despesa financeira que aumentou em 36% devido a um acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde). O lucro líquido ajustado foi de R$ 204 milhões, 34% abaixo do que se esperava, e o resultado contábil indicou um prejuízo de R$ 57 milhões. O MLR, índice que mede a sinistralidade médica, subiu 140 pontos-base em relação ao ano anterior, com um crescimento modesto no número de beneficiários.
Por conta desses resultados, alguns analistas realizaram cortes nas previsões de lucro da Hapvida, com o BTG reduzindo a estimativa de Ebitda para 2026 em 20%. O JPMorgan foi mais restritivo, reduzindo suas metas e a recomendação das ações de “compra” para “neutra”.
Os analistas destacam ainda a competição acirrada no setor, especialmente em São Paulo, onde concorrentes estão adotando estratégias mais agressivas. O cenário apresenta desafios que podem impedir a recuperação da Hapvida no curto e médio prazo, mas existem expectativas de que a lucratividade possa melhorar no final deste ano.
Por fim, o JPMorgan manteve sua recomendação de investimento na Rede D’Or como a preferência para o setor de saúde na América Latina, reforçando a necessidade de monitorar a situação da Hapvida e demais operadores de saúde no mercado.




