Economia

Excesso de soja na China ameaça exportações dos EUA

A China enfrenta um excesso de soja após meses de importações recordes, o que impacta negativamente as expectativas de exportação de soja dos Estados Unidos. Embora tenha havido uma recente trégua nas negociações comerciais, com os EUA afirmando que a China se comprometeu a retomar compras significativas, a situação atual ainda não mostra sinais de mudança.

Os estoques de soja da China estão em níveis elevados, tanto nos portos quanto nas reservas do governo. Esses fatores, somados a margens de lucratividade baixas para as empresas que processam a soja, resultam em uma redução no interesse por novas compras. Johnny Xiang, especialista em comércio agrícola, comentou que as estatais chinesas provavelmente aguardam uma recuperação nas margens de lucro antes de realizar aquisições em grande escala. Além disso, a soja brasileira continua sendo uma opção mais barata do que a soja dos EUA.

Recentemente, o presidente dos EUA se encontrou com o líder chinês e, após esse encontro, autoridades americanas relataram que a China havia se comprometido a comprar 12 milhões de toneladas de soja dos EUA até o final de 2023 e 25 milhões de toneladas anualmente nos próximos três anos. No entanto, a China não fez anúncios públicos sobre essas compras e, até agora, a estatal Cofco só comprou uma quantidade limitada para os meses de dezembro e janeiro.

Os compradores chineses, temendo um desabastecimento em meio à guerra comercial, aumentaram suas aquisições de soja da América do Sul no início do ano, resultando em um excesso no mercado. Em 7 de novembro, os estoques nos portos chineses chegaram a 10,3 milhões de toneladas, um aumento significativo em relação ao ano anterior. Os processadores de soja, enfrentando dificuldades, mantêm 7,5 milhões de toneladas, o maior volume desde 2017. Os preços do farelo de soja despencaram mais de 20% em comparação ao pico de abril, com custo em torno de 3.000 iuanes, cerca de 421 dólares por tonelada.

Os processadores de soja na China têm lidado com prejuízos, e atualmente enfrentam margens negativas. Dados indicam que a margem de perda no centro de processamento de Rizhao está em cerca de 190 iuanes por tonelada. Os comerciantes acreditam que essa situação deve persistir, dificultando um aumento nas importações de soja.

Até agora, não há sinais claros de que as estatais chinesas, como Cofco e Sinograin, farão compras significativas nos próximos meses, apesar das expectativas do mercado. Enquanto isso, as empresas estatais esperam que seus parceiros comerciais cumpram os compromissos acordados.

Estima-se que os estoques de soja mantidos por essas estatais da China sejam de 40 a 45 milhões de toneladas, o que corresponde ao dobro das importações americanas do ano anterior, suficiente para atender à demanda dos primeiros meses do ano. Importadores privados, por sua vez, estão reservando cargas de soja brasileira para embarque em dezembro. O preço da soja brasileira, com frete para a China, é de cerca de 480 dólares por tonelada, enquanto a soja dos EUA está cotada entre 540 e 550 dólares por tonelada.

Até o momento, os importadores chineses reservaram aproximadamente 2 milhões de toneladas de soja para dezembro, representando mais de 40% da demanda estimada para o mês. No entanto, as reservas para janeiro ainda estão lentas, e especialistas observam que não há indicações de que as estatais estejam realizando um programa de compras significativo para cumprir os compromissos estabelecidos.

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