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O papel dos seguros no combate a desastres climáticos

O Brasil enfrenta um aumento preocupante na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, o que agrava vulnerabilidades sociais e econômicas. Um exemplo recente ocorreu na última sexta-feira, dia 7 de outubro, quando um tornado atingiu a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, localizada no centro-sul do Paraná. De acordo com informações da Polícia Científica, o desastre resultou na morte de seis pessoas.

Em términos de danos, a Defesa Civil relata que aproximadamente 90% da infraestrutura da cidade foi afetada. Atualmente, cerca de mil pessoas estão desabrigadas e precisam, temporariamente, ficar na casa de amigos ou parentes. Além deles, 40 moradores buscaram abrigo em um local na cidade vizinha, Laranjeiras do Sul, que fica a apenas 18 quilômetros de distância.

Esse evento torna evidente o impacto das mudanças climáticas no Brasil. Em um contexto mais amplo, a população brasileira apresenta uma baixa adesão a seguros: apenas 17% das residências estão cobertas por esse tipo de proteção, conforme dados da Federação Nacional de Seguros Gerais. Esse fator é preocupante, considerando que, em 2022, as enchentes no Rio Grande do Sul afetaram 2,3 milhões de pessoas e deixaram 183 mortos, incluindo um número significativo de idosos.

As mudanças climáticas também tornam mais evidente a desigualdade social, especialmente em situações de emergência. Idosos e pessoas com deficiência são os mais vulneráveis nessas circunstâncias. No Rio Grande do Sul, cerca de 14,1% da população são idosos, mas somente duas unidades de abrigo estavam disponíveis para atendê-los durante a crise. O agravamento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, foi registrado devido à interrupção de tratamentos e à falta de medicamentos, já que 72% das Unidades Básicas de Saúde nas áreas afetadas funcionaram precariamente, enquanto 13 hospitais regionais também enfrentaram dificuldades.

O especialista Nilton Molina destaca a importância de repensar o envelhecimento em relação à sustentabilidade, afirmando que viver mais exige também maior segurança em termos de finanças e saúde. Ele participará do Fórum de Seguros, Mudanças Climáticas e Longevidade na COP30, que acontecerá em Belém.

A interação entre o envelhecimento da população e a ocorrência de desastres naturais é uma preocupação crescente. Isso impõe um ônus adicional ao sistema de previdência e saúde, criando uma pressão econômica significativa. A quebra do pacto intergeracional, em que a velha geração era sustentada por uma força de trabalho maior, gera um cenário em que há menos trabalhadores sustentando um número crescente de aposentados.

Molina sugere que as políticas públicas devem integrar previdência, assistência social e seguros, com foco na população idosa. Ele enfatiza que o setor de seguros pode ser uma solução que vai além da proteção contra perdas, contribuindo também para a mitigação de impactos sociais.

O ano passado foi marcado por desastres climáticos que levaram aproximadamente 2.500 municípios brasileiros ao estado de emergência. No Rio Grande do Sul, as inundações resultaram em prejuízos estimados em 100 bilhões de reais, dos quais apenas 6 bilhões estavam segurados. Isso exemplifica a necessidade de reconhecimento do seguro como parte fundamental da solução para os desafios climáticos.

Na COP30, será criada a “Casa do Seguro”, uma iniciativa da Confederação Nacional das Seguradoras, que pretende reunir o mercado para debater e promover soluções voltadas à sustentabilidade e gestão de riscos climáticos.

Patrícia Coimbra, diretora de Gente e Cultura da Porto, ressalta que é essencial que o mercado segurador assuma um papel de destaque no enfrentamento da crise climática. Ela afirma que é apenas por meio de esforços coletivos que é possível alcançar progresso significativo.

Por fim, Molina destaca que a proteção deve ser planejada desde cedo. Ele compara a situação dos idosos à de um carro novo que deve ser segurado na compra e não após um acidente. Essa abordagem ressalta a importância de a população jovem começar a se preparar financeiramente para o futuro.

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