Economia

Copom deve manter Selic em 15%: tom do comunicado em questão

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nos dias 4 e 5 de novembro para definir a nova taxa de juros, conhecida como Selic. A expectativa é que a Selic permaneça em 15%, já que o comitê está atento à inflação e à necessidade de alinhá-la com a meta estabelecida. O foco está na forma como o comunicado será redigido, se manterá uma abordagem rigorosa ou se será mais ameno, o que poderia indicar a possibilidade de redução da taxa de juros no futuro.

Economistas indicam que, apesar de alguns indicadores mostrarem uma desaceleração na atividade econômica, há elementos que podem levar o Copom a optar por manter os juros elevados por um bom período. Desde a última reunião do comitê, quatro principais fatos foram observados: a economia mostrou sinais de desaceleração, o crédito perdeu ritmo e a inflação trouxe recuos, refletindo os efeitos da política de juros.

Entretanto, o mercado de trabalho se mostra resistente, com a taxa de desemprego alcançando o menor nível histórico em três ocasiões, mesmo que a criação de vagas tenha ficado abaixo do esperado recentemente. O cenário fiscal, por sua vez, continua desafiador, com a estabilização da dívida pública sendo uma preocupação, embora haja sinais de um impulso fiscal menor, evidenciado pela queda de 0,6% no consumo do governo, em comparação a um crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

A inflação é um fator crucial para as decisões do Copom e pode ser o ponto decisivo que determinará se o comunicado será mais rígido ou flexível. A pesquisa Focus apresenta uma ligeira queda nas projeções de inflação: de 4,8% para 4,55% em 2025 e de 4,28% para 4,20% em 2026. No entanto, esses resultados ainda podem não ser suficientes para alterar a postura do Copom.

Um dos pontos de maior atenção na reunião será se o comitê manterá a possibilidade de retomar o ciclo de alta nos juros. Se essa sinalização for retirada, isso poderá indicar que os cortes na taxa de juros podem começar já no próximo ano. De acordo com análises feitas por economistas, a redução dos juros deve ser vista com cautela devido à resistência do mercado de trabalho e às pressões contínuas sobre os preços, especialmente no setor de serviços.

Globalmente, o cenário ainda requer cuidado. Apesar de a guerra comercial não ter causado danos tão severos quanto o imaginado, os desafios internacionais, somados à pressão inflacionária interna, indicam a necessidade de manter uma política monetária restritiva por mais tempo.

O Copom terá mais uma reunião em 2023 nos dias 9 e 10 de dezembro. Para 2024, as reuniões do primeiro trimestre estão programadas para os dias 27 e 28 de janeiro, além de 17 e 18 de março. A maioria dos analistas acredita que não haverá cortes na taxa de juros este ano, mas as previsões sobre quando isso pode acontecer no próximo ano variam: alguns economistas apontam para janeiro, enquanto outros sugerem março. A XP, por exemplo, prevê que a Selic pode cair para 12% ao final de um ciclo de cortes, enquanto a Reach projeta que esse início ocorra em abril. As expectativas gerais indicam que, independentemente do momento de redução, a taxa pode ficar em torno de 12,25% até 2026, com a previsão de queda gradativa ao longo dos anos subsequentes.

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